Grandes desejos

Grande desejo que é o toque. Alberto Pires saía todos os dias às 7 da manhã. Saía de seu quarto e dirigia-se até a cozinha. Despenteado, desarranjado, desgovernado. Sentava-se numa cadeira de madeira apodrecida, estendia a toalha com motivos natalinos e começava a recolher os farelos do pão já consumido. Acreditava ser este seu trabalho, sua missão na vida. Conversava com as formigas, que de tão interesseiras só se aproximavam do pobre para lhe roubar os farelos que passavam despercebidos. Quando terminava suas tarefas, dirigia-se até o quarto de sua mãe, que incomodada, lhe dava coronhadas na cabeça com uma espátula de bolo. Ela dizia que garotos como ele não podiam entender sua profissão e não mereciam seu tempo. Talvez por isso, fosse tão infeliz. Nunca havia sido tocado por uma mulher, nunca havia experimentado o gosto da libertinagem, do desejo, enfim, dos benefícios e malefícios da sexualidade humana. Alberto é o típico atípico. Individual dentro de sua falta de indivíduos. Não sabe ser, não sabe saber, não sabe tentar. Sua vida, escondida, acabou por demiti-lo da função de vivente. E o desemprego, como sabemos, é o problema do século. Grande desejo que é a estabilidade.

 

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Cúmulo

Essa semana tivemos mais uma prova da irresponsabilidade dos veículos de mídia deste país. Como é de conhecimento geral, o crime passional ocorrido nesta sexta feira (17/10), protagonizados por Lindembergue, sua ex-namorada, e a respectiva melhor amiga, foi mais uma vez explorado até a última gota pela imprensa. Isso não é surpreendente, afinal o jornalismo dispõe como bem entende o nível hierárquico da informação desde os primórdios. O que realmente é assustador é a maneira com a qual o caso foi tratado. É totalmente inaceitável o fato de alguém que se diz ” jornalista ” (sem preparo algum para lidar com uma pessoa totalmente abalada e psicologicamente afetada – sim, estou falando da Rede TV e da pseudo – profissional Sônia Abrão) intervir na situação, entrevistando o agressor em meio a um sequestro, tratando-o de forma icônica (como se fosse um super-herói, ao invés de um marginal), conferindo o caráter ” folhetinesco ” que garante a sustentação do caso durante muito tempo na mídia (bem como já ocorrido neste ano, em meados de março, no caso ” Isabella “). A espetacularização da tragédia faz com que todos acreditem que trata-se de uma novela urbana, algo que deve ser incorporado a nossas vidas, que deve ser acompanhado e tratado de maneira diferente. A situação vira um produto, e assim como num plano de marketing, este produto tem suas fases: Crescimento, Amadurecimento, e Declínio. A publicidade, tão criticada por nossos colegas jornalistas justamente por seu objetivo principal (a venda), tem sua finalidade declarada. Já o jornalismo utópico, que nos é imposto dentro de nossa própria universidade, repudia a mercantilização da informação. Agora, eu lhes pergunto: Essa revolução pela qual tantos lutam ainda existe? Responsabilidade vale mais do qualquer palavra de ordem. Eis meu manifesto.

Raiva e gavetas.

Raiva. Não consigo escrever algo além disso. Aliás, deveria ter escrito antes, mas hoje está tão aflorada que preciso compartilhar. Sabe quando você se sente uma completa imbecil impotente? Então, é isso. Vou ser sincera, tenho desejos de matar alguém e não é de hoje (se alguém da polícia estiver lendo, sim, pode me prender, fui eu). Sabe aquele aperto no peito? Ele vem e volta. OTÁRIA. Está ecrito na minha testa, eu sei, pintaram com o verniz invisibilizador do Chapolin Colorado e nem ele pode me defender. Mas, uma certa amiga, de tempos remotos e muito sábia, me disse uma frase: TRANCA A PORRA DA GAVETA E NÃO ABRE MAIS ! É o que vou fazer. Desculpem os palavrões, caros leitores, mas isso aqui é um texto sobre raiva. Eles não poderiam faltar. Não sei pra que tanto, se tantos já passaram por este mesmo bocado. Mas eu sou diferente, faz muito tempo que finjo que existo. E agora, pra finalizar, um desabafo:

PUTA QUE PARIU !

CLAP, CLAP, CLAP.

Palmas pra mim, a mais imbecil do Brasil (até rimou).

Ponto final. (eu disse FINAL).

Gaveta trancada, depois de muito refletir.

. (agora sim)

 

Última obs: Finalizo com um vídeo do CSS, com uma música que já foi utilizada esta semana no blog do meu queridíssimo Brunão, também para um desabafo. Bruno, luv ya babe. I’ll finish this shit  this month, day 10, and I’ll be rude only with you. Confira a letra aqui, muitos irão entendê-la bem.

 

Sobre amores e valores

Prometi certa vez que não mais abordaria o tema ” amor ” em meus textos, mas confesso, é difícil. Acredito que este, até agora, é um balanço geral (não, não estou falando daquele programa de teor altamente ” informativo ” da TV Record) de tudo o que aprendi até agora. Todos nós temos nossos valores e buscamos no outro algo que nos falte ou nos complete, de acordo com nossas vivências anteriores, tanto culturais como sensoriais. O triste é encontrar tudo o que precisamos em alguém, mas este alguém estar vivendo um universo completamente diferente do seu. Então, chego a conclusão de que as chances reais de algum dia darmos de encontro com uma pessoa que complete seus valores e que esteja vivendo o mesmo momento que você são praticamente nulas. Eu, dentro do meu ego-ísmo (são tantos ismos classificatórios que este parece apenas mais um, mas não é), procuro sem parar essa completude, essa paz, mas não ignoro as necessidades do outro. Muito pelo contrário, coloco o objeto de meu desejo sempre em primeiro plano, o que na verdade explicita ainda mais a minha vontade de auto-realização, revelando que estou mesmo é preocupada comigo e nada mais. Considerando, ainda, que sou razoavelmente apresentável, inteligente, e interessante(sem falsa modéstia), o que tanto me impede de finalmente encontrar o que procuro? Tenho medo porque às vezes penso que posso ser alguém que simplesmente não nasceu com a função do amar e ser amada habilitada, que é realmente o que está me parecendo. Logo eu que sei amar como ninguém, e que quando realmente amei descobri o quanto isso pode ser perfeito ou apenas mortificante. Estou cansada de decifrar ” mensagens subliminares ” no orkut, nessas porcarias viciantes de redes sociais, e etc. Não quero joguinhos, não quero confusões. Quero certezas e beijos tranquilos, como a madrugada.