Cúmulo

Essa semana tivemos mais uma prova da irresponsabilidade dos veículos de mídia deste país. Como é de conhecimento geral, o crime passional ocorrido nesta sexta feira (17/10), protagonizados por Lindembergue, sua ex-namorada, e a respectiva melhor amiga, foi mais uma vez explorado até a última gota pela imprensa. Isso não é surpreendente, afinal o jornalismo dispõe como bem entende o nível hierárquico da informação desde os primórdios. O que realmente é assustador é a maneira com a qual o caso foi tratado. É totalmente inaceitável o fato de alguém que se diz ” jornalista ” (sem preparo algum para lidar com uma pessoa totalmente abalada e psicologicamente afetada – sim, estou falando da Rede TV e da pseudo – profissional Sônia Abrão) intervir na situação, entrevistando o agressor em meio a um sequestro, tratando-o de forma icônica (como se fosse um super-herói, ao invés de um marginal), conferindo o caráter ” folhetinesco ” que garante a sustentação do caso durante muito tempo na mídia (bem como já ocorrido neste ano, em meados de março, no caso ” Isabella “). A espetacularização da tragédia faz com que todos acreditem que trata-se de uma novela urbana, algo que deve ser incorporado a nossas vidas, que deve ser acompanhado e tratado de maneira diferente. A situação vira um produto, e assim como num plano de marketing, este produto tem suas fases: Crescimento, Amadurecimento, e Declínio. A publicidade, tão criticada por nossos colegas jornalistas justamente por seu objetivo principal (a venda), tem sua finalidade declarada. Já o jornalismo utópico, que nos é imposto dentro de nossa própria universidade, repudia a mercantilização da informação. Agora, eu lhes pergunto: Essa revolução pela qual tantos lutam ainda existe? Responsabilidade vale mais do qualquer palavra de ordem. Eis meu manifesto.

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3 comentários sobre “Cúmulo

  1. Nossa!!! Disse tudo e ainda acredito que tenha mais fôlego!!! Afinal estão consumindo as famosas “soup opera” e acreditam estar consumindo informações da mais alta relevância.
    Chega à ser constrangedor o grau de hipocrisia da cúpula jornalística, e mais constrangedor o grau de conhecimento dos consumidores, mais conhecidos como audiência!

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