Nosso tão questionável egocentrismo

Ontem, estava eu na fila da farmácia protagonizando mais um interessantíssimo episódio da minha nada mole vida, quando uma senhora, de uns 70 anos, deixou cair sua carteira no chão. Pacientemente, peguei o objeto e o devolvi para sua dona. A mulher, mera desconhecida que nunca havia visto mais gorda, ficou totalmente impressionada com a situação, e me agradeceu um milhão de vezes por ter simplesmente devolvido o que já era dela. Ok, sei que é clichê escrever sobre o egoísmo humano, mas fiquei tão tocada (no bom sentido, seus sujos) com a situação que resolvi me manifestar. É incrível como perdemos nosso senso de coletividade, mas seria extremista demais culpar alguém ou algo por isso. Nos dias em que vivemos, muitas vezes ao tentar um ato altruísta e de desprendimento, somos vítimas de inúmeros golpes. Além disso, a fragmentação de nossa época não nos permite olhar para outro alguém que não seja do nosso convívio, simplesmente não temos tempo. Não temos tempo de ajudar o outro, pois não conseguimos se quer nos ajudar. Apesar de tudo isso, exercitar a educação que nos foi dada é sempre gratificante. Receber um sorriso é sempre agradável.

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6 comentários sobre “Nosso tão questionável egocentrismo

  1. Hoje em dia, fazer o correto choca, capaz se vc ignorasse o fato de não ajudar, seria uma atitude normal…
    Somos uma geração diferente, acostumados a ‘adorar’ pessoas que nunca nos encontramos, idolatrar modismo, e quando se diz em fazer o bem, parece fora de moda
    Posso voltar pros anos 60?

  2. “ao tentar um ato altruísta e de desprendimento, somos vítimas de inúmeros golpes”

    A velhinha não te tocou, mas te deu uma porrada, foi isso?? hahahaha

  3. Geralmente me surpreendo positivamente com as reações alheias. Mas, ao contrário de você, essa semana tive duas experiências que nos dão a sensação de que estamos no final dos tempos. Um numa galeria de arte, a dona do estabelecimento de uma falta de sensibilidade atroz, ainda trago comigo a deprimente cena. Outro numa padaria, hiper da moda, em que as pessoas entravam em revoada, tomavam a vez umas das outras, me senti como num momento de recessão total. Putz, comentie com um post, desculpa. É que me identifiquei sobreforma com teu post.

  4. é triste saber que não reconhecemos as pessoas ao nosso lado como pessoas e isso se reflete na nossa profissão que chamamos gente de target, público, consumidor trabalhamos, vivemos estudamos, vivemos com gente

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