Música

10 graus em São Paulo. Estava eu no meu trabalho, lendo algumas notícias, como de costume, quando uma em especial me chamou a atenção. Comecei lendo a história de um menino, de 16 anos, que teve algumas músicas lançadas por uma gravadora americana. Pensei: Genial esse garoto. Rolando a barra do computador um pouco mais para baixo, para minha surpresa, encontrei a palavra “ póstumo ”. Era um álbum póstumo que estava sendo divulgado. Vinícius Gageiro Marques (mais conhecido no mundo musical como Yonlu), gaúcho, se suicidou aos 16 anos através de um site da internet. Fiquei incrivelmente tocada com a história deste músico. Ao ouvirmos seu trabalho (http://yonlu.com), ficam nítidas a melancolia com a qual Vinícius lidava com a vida, e também sua inteligência. O poder da música é indiscutível. Ela cura, ela nos faz querer, nos faz desistir. Escrevo tudo isso pois vivo uma fase na qual tenho encontrado apoio total na arte. E música é arte. Porém, para estimularmos e até mesmo revelarmos dotes artísticos, temos que trilhar um longo caminho. Já dizia Raul Seixas: ” Saudades de quando eu era burro, sofria menos “. Muitas vezes, ao entendermos as verdades (ou não) do mundo, nos desesperamos. Nos desesperamos, pois conseguimos finalmente ver que tudo não passa de um jogo de sentidos e significados que, na verdade, não existem. Citando agora Rita Lee, ” tudo vira bosta. ” E vira mesmo. O que me deixa triste, nessa história toda, é saber que Vinícius transformou a arte em ferramenta de auto-destruição, e não de cura. Mas, não sou ninguém para entender a imensidão dolorida de sentimentos existentes em um humano. Fica aí minha homenagem. Em meio à tanto lixo, pessoas talentosas devem ser homenageadas. Vivas, ou não.

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6 comentários sobre “Música

  1. Fora de série. Bacana a homenagem, sensível a percepção e, enfim, muito bom ter vindo aqui ler, ouvir e ver. Realmente, felizes são os tolos. Quando nos deparamos com a dimensão das coisas e enxergamos para além, muita coisa se esvai. Às vezes até a energia vital.
    Sobrevivemos!

  2. Ariane, primeiro de tudo: VOCÊ ESCREVE MUITO, PARABÉNS!
    segundo: me choco e me toco muito esse post. é incrivel como a música tem poder sob nosso ânimo tanto positiva como, talvez nesse caso, negativamente!
    eu não vivo sem, me anima no trajeto de duas horinhas casa-trabalho e depois trabalho-faculdade.

    vc ahazoparis, definitivamente!

    bjos.

  3. Parceira,
    Se vc está começando neste caminho longo mas incrivelmente humano somente agora, lembre-se: toda arte, por mais melancólica que seja, é sempre uma proposição de felicidade. Isso porque nós, os artistas, não sabemos mais que os outros, apenas enxergamos certas verdades primeiro. Isso é o que torna difícil a nossa adapação neste mundo de verniz. Só não se esqueça que, apesar da dificuldade que é viver, não vale a pena fazer arte se não somos capazes de transformar amor e ódio, euforia e dor na mais absoluta beleza. E quem conseguir compreender, que contemple.

  4. vc escreve muitíssimo bem… mesmo essa sendo uma temática muito complexa… ótimo post e ótima música, é realmente uma pena esse garoto não estar mais entre nós.

  5. Não há muita verdade nesta imagem que criamos deste garoto de 16 anos. Sua qualidade musical é inegável, mas somente do ponto de vista das colagens. O mérito dele está nas montagens e nos diálogos com os vários gêneros musicais dos últimos 40 anos. Criação? Eu seria mais cuidadoso ao tocar na questão da originalidade, visto que ele criou músicas que se inserem no chavão. Nada contra, gostei das músicas que ele fez, mas pela porta que meus ouvidos dedicam ao pop. Um garoto de 16 anos criado no berço da burguesia não iria tão longe em suas tristezas e análises das relações humanas. É uma grande falta que não houve um Vinicius mais velho, que conhecesse mais pessoas, muita gente ia gostar de conversar com ele sobre diversos assuntos, é uma pena que ele não tenha podido viver para ter uma razão para morrer, pois era um quadro clínico sua melancolia, era sintomática e o seu suicídio fôra a constatação mais grave. A tragédia não se dá pelo suicídio, mas pelo uso de sua imagem, pelo elevação que damos ao tema e de certa forma às vezes até romantizada.

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