Linha de Chegada.

É. Cheguei ao auge da minha dor. Ao auge de algo que não tem solução. Escrevo para não sufocar ainda mais tudo que me dilacera por dentro, mas, não sei ao certo o que dizer. Parece que todos os órgãos do meu corpo querem gritar, tomar uma atitude. Meu cérebro já não responde meus chamados, e meu coração… bem… este bate cansado e com frio. Dói, não tem remédio, e pelo que vejo, para sempre vai doer. Olho para mim e só encontro distância: distância do futuro, do passado, e do presente. Fragmentos de lembranças que quero retomar, mas que não podem ser revividas. Nada de muito concreto: um abraço aqui, um beijo ali, coisas assim, desejáveis e irremediáveis. Não mais acredito em solução, em milagres, ou em pessoas. Acredito em relatos, como este. O relato do dia em que deixei de sonhar. Julguem, achem o que for melhor achar. Nada mais arranha minha mórbida paz.

Pessoas

Pessoas, pessoas.
São muitas por aí.
Andam, dirigem, comem.
Enjoam. Enojam.
No espelho, a mesma cara todo dia.
Todo dia, a mesma cara no espelho.
Queria ser um ventilador.
Que gira, gira, gira…
Sem propósito.
Com propriedade.
Pessoas, pessoas.
Muita pressa.
Muita roupa.
Muito trabalho.
Pouca luz.

*Algumas vezes, neste blog, farei um TOP 5 de pessoas, mesmo que elas não vejam nada disso. As de hoje são: Lilian, Brunão, Maiara, Eric (que sempre vem aqui dar uma força), e Rê.

Vivi.

É tanta besteira. Pessoas vão,voltam, fazem, desfazem. O tempo passa, ameniza, refaz, destrói. Guardo comigo algumas lições e algumas marcas, feitas por pessoas, obviamente. Respeito e humildade são triviais, bem como força e coragem para se olhar no espelho quando tudo está cinza. Relevância é diferencial. Diferencial é surpresa. Surpresa é inovação. Amo o novo, amo o cuidado, amo o carinho, amo a dedicação. Amo ter o poder de me confortar vendo fotos, sentindo cheiros, relembrando fatos. Mas também sei me reinventar, me reconstruir, e ganhar o mundo sozinha. Ah, o mundo. Constituído de seres viventes, mas nem sempre pensantes. A imprescindível necessidade de se sentir vivo, querido, e desejado. Desejo nem sempre é amor, e amor nem sempre é desejo. Coisas que sei, que não sei, que presenciei. Fechar os olhos e se imaginar lá, naquele instante, com aquele sorriso, com aquela lágrima. O tédio é azul, sua voz me irrita, seus olhos me abraçam, mesmo sem os braços. Eu sei de mim, você sabe de você, nós não existimos. Tudo não passa de um amontoado de cores num sonho ilustrado. Não sei quem sou, e acredito que esta deva ser uma das descobertas mais enfadonhas que uma pessoa pode ter. Todos correm, mas ninguém sai do lugar. Vivi. E até aqui, fiz o que pude.