Vivi.

É tanta besteira. Pessoas vão,voltam, fazem, desfazem. O tempo passa, ameniza, refaz, destrói. Guardo comigo algumas lições e algumas marcas, feitas por pessoas, obviamente. Respeito e humildade são triviais, bem como força e coragem para se olhar no espelho quando tudo está cinza. Relevância é diferencial. Diferencial é surpresa. Surpresa é inovação. Amo o novo, amo o cuidado, amo o carinho, amo a dedicação. Amo ter o poder de me confortar vendo fotos, sentindo cheiros, relembrando fatos. Mas também sei me reinventar, me reconstruir, e ganhar o mundo sozinha. Ah, o mundo. Constituído de seres viventes, mas nem sempre pensantes. A imprescindível necessidade de se sentir vivo, querido, e desejado. Desejo nem sempre é amor, e amor nem sempre é desejo. Coisas que sei, que não sei, que presenciei. Fechar os olhos e se imaginar lá, naquele instante, com aquele sorriso, com aquela lágrima. O tédio é azul, sua voz me irrita, seus olhos me abraçam, mesmo sem os braços. Eu sei de mim, você sabe de você, nós não existimos. Tudo não passa de um amontoado de cores num sonho ilustrado. Não sei quem sou, e acredito que esta deva ser uma das descobertas mais enfadonhas que uma pessoa pode ter. Todos correm, mas ninguém sai do lugar. Vivi. E até aqui, fiz o que pude.

Anúncios

3 comentários sobre “Vivi.

  1. Acho que isso é viver. Levantar, cair, arranhar-se, curar-se… para se preparar para uma outra ferida, que logo cicatrizará também…
    Manda muito, moça =*

  2. “Quem faz um poema abre uma janela.
    respira, tu que estás numa cela abafada,
    esse ar que entra por ela.
    por isso é que os poemas têm ritmo
    – para que possas profundamente respirar.
    quem faz um poema salva um afogado”

    Mário Quintana

Os comentários estão desativados.