Paralisia.

2hrs e 15min. O que você faria com este tempo disponível? Dá pra fazer muita coisa. Dá pra jogar uma partida de futebol, desarmar uma bomba, comer um Big Mc, conversar com sua família, entre outros. Mas em São Paulo, tudo isso é luxo. Hoje, demorei exatamente 2hrs e 15min para chegar no trabalho. Se tempo é dinheiro, já perdemos bilhões. O que me impressiona, depois de ter visitado 9 países, é que o transporte público brasileiro é simplesmente o pior entre todos. É uma mania entre nós criticar o que vem de nosso próprio país, mas, nesse caso, não há para onde correr: somos mesmo péssimos em infra-estrutura. Em Londres, por exemplo, não é necessário nem ter carro. Não importa para onde você está indo, o metrô está lá (e trata-se do sistema de locomoção mais antigo do mundo). Se não tem metrô, no mínimo, existem trens de ótima qualidade. Qual é a dificuldade do Brasil em encontrar (ou até mesmo imitar) um sistema eficiente de transporte? Claro que existem questões muito mais complexas envolvendo esta temática, mas por que não dar atenção à algo TÃO importante? Perdemos tanto tempo resolvendo coisas menores… por que não focar no conforto da população? Aguardo ansiosamente o dia no qual poderei realizar uma reunião na AirBus e dizer: Vê meu jatinho, que eu me cansei. Kassab, prestenção aê, por favor!

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Carta ao meu infortúnio

Infortúnio é observar essa tela em branco. Me engolindo, me roendo. Esperando que eu escreva algo.
Esperando que eu conte. Que eu vomite de forma organizada e suficientemente tocante o que me preocupa, o que me constrange.
Eu quero contar, mas é estranho, não sei como. Vou tentar escrever uma carta.

– Querida folha de papel em branco…
– Diga! (sim, eu falo)
– Nossa!
– Continue.
– Bom, querida folha de papel em branco… sinto uma dor enorme em meu coração. Mas isso já se tornou tão corriqueiro, 10 minutos de alegria e 3 meses de sofrimento.
– Não se preocupe.
– Não?
– Veja meu caso. Passo os dias aguardando que alguém me preencha. Que alguém faça das letras meu alimento. Sou vazia.
– E isso não acaba com você?
– Não. Porque no meu vazio, nessa imensidão branca e límpida, sempre encontro uma velha companheira.
– Quem?
– A esperança.

Partida

O que se sabe é muito pouco. Sei que de mim, não cuido mais. Cuidar de mim, pra outro vir e despedaçar tudo que construí? Não. Vou cuidar dos pássaros, das árvores, das folhas. Tudo isso vai ficar aí. Eu não. Eu vou embora, vou andar, ver o Sol meu companheiro. Ver o que ele me oferece. Calor, serenidade. Na verdade, gosto é do frio. Do frio que congela e mortifica. Estou acostumada com isso. Pegue em minhas mãos. Pegue e você vai ver, elas não estão acostumadas ao contato verdadeiro. Estão acostumadas com a hipocrisia, com coisas medíocres. Essas besteiras desmedidas, palavras comedidas… tudo rima e combina com partida. Não me espere, eu já saí. E bati a porta.

Fragmentos

O comportamento humano é naturalmente peculiar. Vejo cores, gostos, gestos. Tudo isso faz parte de um conjunto de significações que estão numa esfera materialmente inexistente, porém, influenciam atitudes reais. Influências recebidas ao longo da vida decretam maneiras de falar, agir, e se portar. Coisas que, por sua vez, definem quem é você na noite. Ops, no mundo. Me estranho ao ver minha cara. Tá, é sempre a mesma, mas parece que a cada dia me torno uma pessoa diferente. Não sou uma constante. É como se eu fosse dona de muitos ‘eus’ . Visto uma fantasia diária e encaro um personagem. Não digo que isso seja algo negativo, mas meu grande problema é decidir qual papel quero fazer, qual roteiro quero seguir. Sou um eterno quebra-cabeças, que tem como maior anseio responder com propriedade a fatídica pergunta do Orkut: Quem sou eu?