Vem cá

Minhas coisas estão jogadas e não vou recolhê-las. Minha mãe está desapontada, mas não posso ajudá-la. Seu copo está sujo, lave-o. Sua roupa está amarrotada. Estão me atirando flores, mas parecem tijolos. Confundo o que quero e o que não quero. Vago sozinha nas ruas esperando meu show continuar. Egoísmo puro, meu, seu, de todo mundo. Nosso egoísmo bonito, poético e voraz. Morde minha boca e torce meu braço… congela meus ossos e amarga meus casos. Te prometo um futuro que não sei se quero pra mim, proteção, solidão. Seu desprezo assassinou minha vontade de caminhar. Vou puxar uma cadeira e aguardar os pensamentos ruins irem embora. Muitas vezes uma bala na cabeça é o que não temos coragem de dizer. Muitas vezes, não tenho coragem nem de viver. Quanto mais de morrer. Morrer dá trabalho. Sofrimento demanda energia. E é por isso que mesmo morta, ainda vivo. Mais que muitos, mais que todos. Vivo porque não há nada melhor pra fazer. Eu poderia estar tomando um café, comendo um pão. Mas estou morrendo um pouco mais. Cada dia mais. Vem cá, me dá um abraço.

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5 comentários sobre “Vem cá

  1. “Mas pra fazer um samba com beleza
    É preciso um bocado de tristeza
    Senão, não se faz um samba não
    Senão é como amar uma mulher só linda
    E daí? Uma mulher tem que ter
    Qualquer coisa além de beleza
    Qualquer coisa de triste
    Qualquer coisa que chora
    Qualquer coisa que sente saudade
    Um molejo de amor machucado
    Uma beleza que vem da tristeza
    De se saber mulher
    Feita apenas para amar
    Para sofrer pelo seu amor
    E pra ser só perdão”

    Ao ler o seu texto, lembrei imediatamente dessa música do Vinicius. Ao contrário da idéia vendida pela sociedade, na minha opinião, é a tristeza a parte mais bonita do ser humano.
    Gosto das coisas que você escreve. =)
    Beijão.

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