Bingo!

O despertador está de volta. As luzes se apagaram e do falso glamour só sobrou a ressaca. Quem espera demais, continua esperando.
Vi alguns dos rostos que temia ver. Vi também o mais importante deles, e é amargo admitir que dentro de mim tudo está intacto. Acordei com várias sensações estranhas me rodeando. Percebi que não sei como manejar minha própria vida, e o mais estranho é que enquanto puder procrastinar este assunto (pois é, minha própria vida!) vou continuar procrastinando. Funciona assim: eu tenho uma lanterna, e com ela posso jogar a luz para qualquer setor desta ampla aventura terrena, mas sempre foco no mesmo: o pessoal. Eu espero, do fundo deste órgão bombeador de sangue tão calejado, que o acaso continue sendo generoso comigo. Não tenho planos. Não tenho saídas. Não tenho coisa nenhuma, e isso não me incomoda. Mas deveria incomodar. A única coisa que me chateia é o fato de sempre desejar ser de alguém. Estou sempre esperando ” aquela ” pessoa que vai me dar um chacoalhão e me orientar, quando eu mesma deveria fazê-lo.Tenho vinte e dois anos, escrevo textinhos de quinta série em blog, não sei dobrar uma camiseta e não estou preocupada com isso. Quero viver de arte, cerveja e amor, ou seja: there’s something really wrong with me. Bom… talvez o fato de escrever sobre isso já demonstre certa preocupação da minha parte, né? Taí o problema: as coisas vão acontecendo e a única providência que tomo é escrever ingenuamente sobre elas.

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Mais cor, mais vida.

Fora do eixo, fora do lugar. Como um recorte de revista mofado embaixo de um armário velho, tentando voltar para a página da qual saiu.
Não repudio o café quente derramado em minhas pernas, nem os cacos de vidro debaixo dos meus pés. Não caminho dentro da estrada: a estrada é que está caminhando dentro de mim.
Sou uma mera espectadora, posso ver toda a confusão daqui de cima. Mostrei o que havia para mostrar. Sendo suficiente ou não, isso sou eu. Isso é a vida.
E, meus caros, como todos dizem, a vida vai embora. Vai embora num sopro, num coração partido, num dia mal vivido. No trânsito, nas reuniões tediosas… nestes momentos, a vida se esvai.
Mas que belíssima contradição, não é mesmo? Esta mesma vida que se desmancha em situações indesejadas, exige que dediquemos boa parte do nosso maior bem, o tempo, à coisas e histórias igualmente chatas e cinzentas. O segredo é buscar as cores. Sei bem onde elas se escondem e posso te contar. Se quiser, é claro.