Moedas

Aí você está lá, vivendo, e seu chão se desfaz. Tudo muda e você culpa a cidade. São Paulo sempre entristece um pouco mais, mas também dá a certeza de que amanhã, como diria Chico, vai ser outro dia. E nestes outros dias acabei por me refazer. Me refiz, é verdade, mas cá estou em outro dilema… um daqueles bem ardidos e complicados como provas de matemática. A resolução de dilemas nunca foi meu forte, mas cara ou coroa, ah! Aí sim. Tudo que decidi com a moeda, deu certo. Nunca me deparo com facilidades: sempre estou metida em alguma dificuldade cabeluda, por isso, levo sempre moedas no bolso. Muitas vezes não queremos aceitar o resultado que nos é imposto, mas é assim, e sabemos no que vai dar. Eu preferia não saber… mas sei. E aguardo por uma surpresa.

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Cúmplices

Escolher é muito difícil, odeio escolhas. Mas também odeio a vida meia-boca. Preciso ser inteira. Preciso me sentir confortável para exercer a minha intensidade. Me dê esse conforto e serei sua para sempre.
É isso o que procuro. Claro, existem outros fatores: pele, cheiro, beijo… complicadíssimo encontrar o conjunto perfeito. Quando entramos em um impasse, preferimos nos eximir de qualquer culpa. Mais fácil seria se pudéssemos jogar os dados no Excel, ele nos mostraria gráficos comparativos e pronto: taí a resposta. Na verdade, nós sempre sabemos qual é a resposta. Só queremos complicar um pouco mais. Afinal, quem não gosta de complicações, não é mesmo? Tornam o caminho para a simplicidade mais interessante e valorizam o resultado final. Sabe aquele momento de liberdade adolescente, quando sua mãe vai viajar e você se sente totalmente livre para andar pelado e dar cerveja para o cachorro? Então, é isso. Quero ter esse nível de cumplicidade com alguém, para poder fazer o que eu quiser sem me sentir julgada ou reprimida.

-Você não odeia isso?
-O quê?
-Silencio desconfortável. Por que sentimos necessidade de falar asneiras para ficarmos confortáveis?
-Eu não sei.
-É aí que você sabe que encontrou alguém especial. Quando você pode calar a porra da boca por um instante, e confortavelmente compartilhar silêncio.

* Pra quem não conhece, diálogo extraído do filme Pulp Fiction.

Bobeira

Tenho uma desconfiança absurda das minhas próprias decisões
Sou só mais uma bola na trave, um martini sem azeitona
Como vou conseguir decidir algo que irá reger minha vida pra sempre?
Diferentes como água e óleo, todos somos
Alguns mais agressivos, outros mais amenos
Eu sou assim: não gosto de samba, de multidões,
de carnaval e de chocolate ao leite.
Prefiro filmes, edredon, tranquilidade, tempo frio e uma boa conversa.
Sou chata. Não gosto de barulho.Tenho preguiça de desentendimentos. Não consigo me dedicar quando não estou completamente apaixonada por algo ou alguém.
Textinho bobo, esse. Só precisava escrever.