Cúmplices

Escolher é muito difícil, odeio escolhas. Mas também odeio a vida meia-boca. Preciso ser inteira. Preciso me sentir confortável para exercer a minha intensidade. Me dê esse conforto e serei sua para sempre.
É isso o que procuro. Claro, existem outros fatores: pele, cheiro, beijo… complicadíssimo encontrar o conjunto perfeito. Quando entramos em um impasse, preferimos nos eximir de qualquer culpa. Mais fácil seria se pudéssemos jogar os dados no Excel, ele nos mostraria gráficos comparativos e pronto: taí a resposta. Na verdade, nós sempre sabemos qual é a resposta. Só queremos complicar um pouco mais. Afinal, quem não gosta de complicações, não é mesmo? Tornam o caminho para a simplicidade mais interessante e valorizam o resultado final. Sabe aquele momento de liberdade adolescente, quando sua mãe vai viajar e você se sente totalmente livre para andar pelado e dar cerveja para o cachorro? Então, é isso. Quero ter esse nível de cumplicidade com alguém, para poder fazer o que eu quiser sem me sentir julgada ou reprimida.

-Você não odeia isso?
-O quê?
-Silencio desconfortável. Por que sentimos necessidade de falar asneiras para ficarmos confortáveis?
-Eu não sei.
-É aí que você sabe que encontrou alguém especial. Quando você pode calar a porra da boca por um instante, e confortavelmente compartilhar silêncio.

* Pra quem não conhece, diálogo extraído do filme Pulp Fiction.

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Um comentário sobre “Cúmplices

  1. eu já tinha vindo aqui antes, mas dessa vez precisei comentar… porque eu passei o fim de semana inteiro com essa cena do pulp fiction na cabeça, até postei sobre ela. é exatamente isso mesmo, muito bom 🙂

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