O jogo da calcinha bege

Sempre quero escrever sobre assuntos não permitidos. Sou romântica, sou cafona. Quero falar muitas coisas mas é preciso ter cuidado, a gente tem que se preservar e se reinventar sempre.
A dica é: não se mostre. Não se mostre nunca. Sempre fui contra joguinhos. Se eu ligo, estou demonstrando interesse. Se não ligo, não demonstro que quero. Mas depois de algumas experiências, vejo que o jogo é necessário. As pessoas não funcionam sem jogos. É tudo muito louco, acompanhem comigo… se quero algo, não posso mostrar que quero. Acho isso um absurdo, mas o conselho mais comum que recebo é: finja que não está nem aí. Nasci com defeito, não sei fingir. Resultado: vou ficar solteira pra sempre. Caso isso de fato aconteça, já aviso que serei bem feliz. Não terei que mudar meu jeito por ninguém, e meu gato provavelmente vai me amar como sou. Vou poder usar calcinha bege. Vou poder deixar a toalha molhada na cama. Vou poder dormir ocupando a cama toda. Claro que existem alguns contras, mas já estou velha. Tenho preguiça de me adaptar ao outro. Goste de mim como sou ou se retire, porque honestamente, não vou mudar. E nem quero.

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4 comentários sobre “O jogo da calcinha bege

  1. “As pessoas não funcionam sem jogos.”…”Nasci com defeito, não sei fingir.”

    Super me identifiquei, amiga de câncer que não é de câncer.

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