Problema sério

Vou começar admitindo que tenho um problema muito sério: não me respeito. A falta de respeito por mim mesma faz com que eu tome atitudes que me machucam. Acho que sempre posso passar por cima do meu orgulho para alcançar algo que julgo ser um bem maior. Afinal, o que é essa coisa toda que chamamos de amor? Que estraçalha pessoas, famílias e constâncias em segundos? E por que, meu Deus, eu que nunca liguei para absolutamente nada, sinto tanta necessidade de ser amada, de ter alguém e de ser de alguém que eu admire e respeite? Pois é, não pode ser qualquer um. Tem que ser alguém que trabalhe, que tenha uma profissão no mínimo interessante. Tem que ser alguém bonito, que se vista bem. Tem que ser alguém complicado. Eu não sou tudo isso, mas exijo tudo isso de todo mundo que chega perto de mim. Eu não me respeito, e não respeito a ordem e o curso natural dos fatos. Sempre faço de tudo para ser a melhor pessoa, a melhor companhia, o melhor beijo… o melhor tudo. Mas nessa ânsia por satisfazer o outro, perco a naturalidade. Não me permito errar, e justamente por isso acabo errando muito mais e afastando qualquer um que possa vir a gostar realmente de mim. O mesmo acontece com meus textos: escrevo querendo que seja o melhor artigo / whatever que alguém já leu na vida, mas assim não dá. Só quando escrevo com naturalidade é que a excelência aparece.Tudo isso, essa conversa sobre desejos, sobre o que quero e o que busco, é muito pesado. Falar com as pessoas sobre isso implica em ser rotulada como dramática, louca e até mesmo repetitiva. Mas eu não me canso não. Não perco as esperanças. Sigo recomeçando, esquecendo pessoas e encontrando outras o tempo todo, na velocidade da luz. Vou viajar, renascer. Tudo o que fiz até hoje foi por gostar demais. Posso não merecer, mas quero algo que fique.

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De volta ao 0

Faz tempo que estou tentando escrever algo. Não sei o que acontece, mas parece que minha mente parou. É como se eu estivesse no piloto automático: acordo, trabalho, vou pra casa, finjo que existo e é isso. Não presto atenção em nada do que acontece ao meu redor.

O mais assustador é que essa mecânica me parece suficiente. Na verdade, sinto que estou com medo de me arriscar, mais uma vez. Quero ficar quieta no meu casulo, afinal, a vida sem amor não tem graça e nem faz sentido. Sempre que sofro uma decepção relativamente grande passo por um período de total paralisia. É como se eu apertasse o ” pause ” e ficasse analisando aquela cena, parada bem ali na minha frente, tentando encontrar meus próprios erros. Não preciso procurar muito, conheço todos eles e sei onde estão.

A história é a mesma: uma porção de palavras significativas, uma ida ao cinema e alguns jantares. As pessoas dizem que foi só mais um episódio de muitos que virão. E isso é verdade. Mas cansa… e como cansa. Não quero mais problemas, não quero mais ter trabalho. Não quero ter que escrever as mesmas coisas nesse blog. Quero deitar no colo de alguém no fim do dia e me sentir segura. Prazer, sou uma velha de 23 anos.

“ … the day breaks and everything is new. ”

Sobre o sucesso

Sempre gostei das tardes arrastadas. Nelas, só pensava em uma coisa: sucesso. Mas não imaginava um sucesso do tipo “ iate – flat em NY – BMW X1 ”. Imaginava um sucesso “ segurança – amor – apartamento na Lapa ”. Buscava, na verdade, um ponto de fuga através do qual pudesse me encontrar. E essa fuga sempre teve nome e endereço. Fugíamos. Fugíamos debaixo dos lençóis, fugíamos nos passeios da tarde. Cada sms nos teletransportava para longe do que estivéssemos fazendo. E o problema sempre foi esse: a fuga. Chego ao ponto de não conseguir mais conviver com a realidade cinza e concreta da falta de amor. Mas, quando o realismo se faz presente através de doses cavalares de grosserias e verdades, sofro. É só o que sei fazer. Pessoas mentem e são egoístas.

FIM.