Mais e melhor

Pra falar a verdade, eu não sei se tenho vocação pra alguma outra coisa além de amar e falar de amor. Pra falar a verdade, eu não devo ter vocação nem pra isso, afinal estou sozinha com os meus cobertores e meus pares coloridos de meias. Pra falar a verdade, estou aqui buscando palavras para entender ou descrever o sentimento estranho que invadiu meu cérebro, meus olhos e minha pele.

Pra falar a verdade, eu sempre temi sua intensidade, sua rapidez e sua fala convicta. A gente nunca tem certeza de nada, como você teria? Pra falar a verdade, não queria acreditar que a superficialidade acompanhava cada palavra sua, já que o que saía de mim era real. A verdade é que eu preciso de grandes verdades, mesmo que sejam inventadas. Mas as que você me mostrou se dissolveram muito rápido.

Pra falar a verdade, ainda estou em busca de um nome para o que sinto nesse momento. É como se o dono da casa lotérica tivesse me dito: você ganhou sozinha 76 milhões de reais em barras de ouro. 5 minutos depois: erramos o nome do ganhador, me desculpe, não era você. É… é tipo isso.

Mas é necessário ser verdadeiro. É necessário vadiar por aí, dar bons goles em boas bebidas. É necessário sangrar, existir na dor e na mais dura das provações. É necessário chorar… chorar até que existam motivos pra chorar mais e de novo. Provar que as verdades existem, e que as coisas podem ser profundas. Que elas podem ser do tamanho da minha profundidade sombria, que afasta todos que se aproximam.

Ninguém é perfeito. Mas quero alguém que saiba que as dificuldades existem para que a cumplicidade seja atingida. Para que no primeiro atrito as divergências não encubram os momentos bons. Aqueles, tão intensos.

Mas a gente não morre não. A gente só escreve, mais e melhor.

27

Não entendo a crueldade do destino. Não sei qual é a do universo comigo. Também não entendo minha ingenuidade estúpida, que segue atropelando instintos de auto-proteção (com hífen ou sem hífen, I don’t give a damn). Mas queria mesmo poder ver qual é a essência das coisas que me acontecem. Eu já sofri tanto, e mostrei todo o meu sofrimento, meus sentimentos, meu coração… mostrei tudo. Me mostro. Me entrego. Me ferro. Digo que nunca mais vou repetir o erro. Quando me dou conta estou sozinha mais uma vez. Sozinha com o que aprendi a sentir, sozinha com minha mania de doar tudo que tenho ao outro. Dou tudo o que tenho, não deixo nada pra mim. Não deixo nada pra amanhã, quando já é demasiadamente tarde para se arrepender. Depois de um turbilhão de sensações e promessas e abraços e beijos… isso. Minha alma não consegue acompanhar. Mundo, se você tem algum plano pra mim… me mostra qual é? Não tô mais vendo sentido algum em ser gente. Não tô mais vendo sentido em tomar uma cerveja, acender um cigarro e continuar andando. Mas acho que é isso mesmo. Vida feita de instantes… aproveite os bons momentos, já que os ruins chegam na velocidade da luz. Acho superficial. Mas quem se importa com o que eu acho? Lembranças tenho muitas. Quero ter com quem contar. Mas eu nunca vou encontrar. Eu nunca vou parar de reclamar. E ninguém vai me entender. Falta muito pros 27? Que seja.

Prece

Novos territórios

Novos e incríveis territórios

Que fatos secundários não se tornem barreiras

Que minha mente não construa roteiros destrutivos

Nossos caminhos

Nossos novos caminhos

Que sejam tranquilos e sóbrios

Que sejam pacientes com o que foge de nosso controle

Que funcionem

Essa é minha prece.