Mais e melhor

Pra falar a verdade, eu não sei se tenho vocação pra alguma outra coisa além de amar e falar de amor. Pra falar a verdade, eu não devo ter vocação nem pra isso, afinal estou sozinha com os meus cobertores e meus pares coloridos de meias. Pra falar a verdade, estou aqui buscando palavras para entender ou descrever o sentimento estranho que invadiu meu cérebro, meus olhos e minha pele.

Pra falar a verdade, eu sempre temi sua intensidade, sua rapidez e sua fala convicta. A gente nunca tem certeza de nada, como você teria? Pra falar a verdade, não queria acreditar que a superficialidade acompanhava cada palavra sua, já que o que saía de mim era real. A verdade é que eu preciso de grandes verdades, mesmo que sejam inventadas. Mas as que você me mostrou se dissolveram muito rápido.

Pra falar a verdade, ainda estou em busca de um nome para o que sinto nesse momento. É como se o dono da casa lotérica tivesse me dito: você ganhou sozinha 76 milhões de reais em barras de ouro. 5 minutos depois: erramos o nome do ganhador, me desculpe, não era você. É… é tipo isso.

Mas é necessário ser verdadeiro. É necessário vadiar por aí, dar bons goles em boas bebidas. É necessário sangrar, existir na dor e na mais dura das provações. É necessário chorar… chorar até que existam motivos pra chorar mais e de novo. Provar que as verdades existem, e que as coisas podem ser profundas. Que elas podem ser do tamanho da minha profundidade sombria, que afasta todos que se aproximam.

Ninguém é perfeito. Mas quero alguém que saiba que as dificuldades existem para que a cumplicidade seja atingida. Para que no primeiro atrito as divergências não encubram os momentos bons. Aqueles, tão intensos.

Mas a gente não morre não. A gente só escreve, mais e melhor.

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