Tempo ruim

A vida anda nublada. A ânsia por dias mais claros e fáceis já não cabe em meu peito. Tenho lido muita coisa e tenho pensado muita coisa mas não consigo sair de onde estou. Sou diferente das outras pessoas mas também quero ser feliz. Acho que já sou feliz, mas falta o de sempre. Sinto que estou progredindo. Estou amadurecendo profissionalmente e minha família tem plena consciência sobre minhas escolhas e sobre quem sou. Mas hoje minha mãe me perguntou: você é feliz? Respondi que não. Talvez eu já seja e não saiba. Realmente possuo coisas preciosas. Tenho pessoas incríveis ao meu redor, pude fazer e estudar tudo o que quis até agora. Tive todas as oportunidades do mundo. Mas talvez eu simplesmente não dê certo, seja lá qual for o significado de dar certo. Talvez eu nunca consiga encontrar o que falta e passe o resto da vida sendo assim… inquieta, insatisfeita e descontente. Desejo ardentemente uma ” felicidade ” contínua. Um sentimento de proteção constante que simplesmente não existe, já que temos como verdade absoluta da vida o conceito de que a felicidade é feita de momentos. Já vivi grandes momentos. Momentos que nunca vou esquecer. Mas qual é a graça se não posso compartilhar com alguém que saiba o quanto aquilo é importante pra mim? Não sou boa nisso, não sou mesmo. Essa coisa de amor, de amar… não fui feita pra isso. Só quero. E querer nem sempre é poder.

Profundezas

Não sei ser sensual. Não sei flertar na balada. Não sei nem o que dizer quando alguém que acho incrível chega perto de mim. Onde vou parar?
Estou numa fase (se é que posso chamar isso de fase – não sei qual nome dar) muito, muito estranha. Nunca me senti tão cansada das pessoas. Nunca falhei tanto em tentativas de relacionamento e nunca estranhei tanto o meu comportamento. Continuo a mesma: alguém que quer dar amor e que precisa receber amor. Só que a forma de amar mudou. Antes, gostava das coisas pesadas. Gostava de cobranças, de promessas e de planos. Não quero mais planejar coisa nenhuma. Só quero alguém pra rir, alguém pra me divertir, alguém que goste de ler e que tolere alterações bruscas de humor. Sou louca. Digo que não quero planos, mas assim que conheço alguém minimamente interessante, já me imagino fazendo viagens incríveis com a pessoa.
Já imagino nossa casa e já penso no nome do nosso cachorro. Eu não me tolero. Não me tolero porque não consigo me contentar com um milhão de mensagens de bom dia. Não quero isso. Quero presença, quero pele, quero confiar. Mas meu Deus do céu… não encontro, e tenho preguiça de procurar. Estou vivendo um ciclo que está me afundando: não acredito que a pessoa certa vá cair do céu – por outro lado, tenho preguiça de ir atrás – logo, fico na mesma. Tô precisando de alguém que lute por mim… mas que lute com leveza. Alguém que não me sufoque. Mas nem sei se valho a pena.

Bobagem

Mesmo em meio aos grupos nos reconhecemos

Somos indivíuos e assim continuaremos

Nossas características intrínsecas pouco importam

Contanto que saibamos como escondê-las nos momentos certos

Hoje assumo minha solidão

E por ser só me conheço muito bem

Tanto precisei de gente

Tanto desejei alguém

Mas percebo que isso é bobagem

Sou uma pessoa mais interessante porque já sei quem sou

E só sei quem sou porque passei muito tempo comigo mesma

Bebi, dormi e acordei engolindo meu próprio choro

Me peguei rindo sem motivo algum

E estou perseguindo minha paz, assim como gatos perseguem ratos

Assim como perseguimos idéias idiotas que não saem de nossas cabeças.

Perturbações

É preciso ressaltar que um certo marasmo tem tomado conta da minha vida. Se isso é estar em paz, acho que até gosto… mas sou geminiana. Como boa geminiana, estou sempre procurando algum incômodo. Algo para pensar, algo para desvendar ou algo para ocupar espaço em minha mente. Confesso que tenho conhecido muitas pessoas. Mas tenho conhecido pessoas que não suprem essa necessidade de estar sempre descobrindo algo novo. O sentimento da vez vai muito além de frustração. Na verdade, sinto um certo desespero. Tenho pressa. Quero compartilhar minhas inconstâncias e minhas vulgaridades favoritas com alguém, e isso não é novidade. Mas preciso de alguém que consiga me mostrar diferentes pontos de vista. Preciso de alguém que me critique, que me estimule e que me provoque. Por enquanto, estou vazia. Completamente desprovida de qualquer sentimento que possa me conectar com as mesmices do cotidiano. Sei que é preciso estar vazio para esquecer significados que não mais fazem parte do que somos. Por isso, sigo tranquila, ignorando (ou tentando ignorar) minha incapacidade de tolerar o senso comum.

Não quero

Tenho vontade de mandar tudo pro espaço, mas vontades são só vontades
Não cabem na seriedade do cotidiano
Não cabem nas pessoas que amo

Tenho vontade de ter tanta gente
De conhecer, de desenhar
De me aprofundar na mais pura escuridão das personalidades alheias

Tenho vontade de ser
Tenho vontade de ser um pouco menos eu
E um pouco mais do que eu desejo

Tenho vontade de me conhecer
Tenho vontade de me dominar
Queria um pouco de constância
É essa minha maior vontade

Mas vontade é só vontade
A gente beija, se esfrega, rola no chão
Mas não passa de algo vulgar
Algo que não tem continuação

Não quero continuar nada com ninguém.

Só me faça sentir vontade.

Angelina Jolie by David LaChapelle