O prato principal

É bom falar sobre os cigarros que a gente fuma, sobre os copos que a gente quebra. Mas não sei se é bom entender alguém. Não sei se é bom entender o que alguém escreve. O que alguém escreve nem sempre vem do lugar certo. E o que vem do lugar errado a gente nunca aceita. Quando desistimos de uma coisa e essa coisa não desiste de nós, é preciso esperar. Aos poucos, ela vai moldando nossa identidade. Pagamos cafés deliciosos para estranhos, mas não temos tempo de saborear nossa própria loucura.

Todos os relacionamentos humanos são ligados ao processo de aquisição. Você tem alguém, e gosta de ter. Sente prazer ao saber que alguma coisa é realmente sua ou te pertence. A conquista de bens é similar ao fluxo de conquista de sentimentos. Dá pra comprar prazer, mas será que não dá pra comprar amor? Será que não dá pra vender nossa imensidão? O vazio das coisas que buscamos é patético. A busca em si é muito prazerosa, como um gole de vinho tinto em uma noite fria.

O caminho se mostra áspero para aqueles que não se mostram. A vida é suculenta, mas muitas garfadas acabam com a vontade de consumi-la. Ímpetos, prazeres, ignorâncias de alto valor. Engulo todo, sem mastigar. Sirva-se.

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