keep your head up

 

 

Quero entender a origem dos meus medos. Quero ser uma pessoa melhor, mas estou velha e cansada. Sei bem que isso não é desculpa, mas as coisas poderiam ser mais fáceis… só para variar. Quando atingimos certa idade, é possível perceber que aquele “jeitão” que nos acompanha já criou raízes. A mania de tirar a tampa do controle remoto, a forma estranha de amarrar o tênis, os estragos no tubo de pasta de dente… tudo isso já faz parte da nossa personalidade. Com mais idade, nos tornamos intolerantes ao que prejudica nosso conforto e nossa sanidade mental. A paciência com o outro acaba. A vontade de jogar tudo pro alto aumenta. Mas, aí me lembro que: sou um mero ser humano e dependo de outros seres como eu para fazer QUALQUER tipo de coisa. É mesmo impossível ser feliz sozinho – infelizmente. Queria poder ser eu, mesmo sendo um alguém totalmente insuportável. Queria que o fato de ser como sou fosse o suficiente. But no. Nunca é. E é preciso melhorar, aprender, ajustar… pra vida ser mais leve. Será? Sei lá. Protocolos sociais e padrões de comportamento sempre me cansaram. Muito. 

 

pó.

O pior é saber que a autodestruição acontece naturalmente, em um piscar de olhos. A vida vai, volta… e a gente sempre chega no mesmo ponto. As mesmas questões estão sempre nos rodeando, como urubus em busca de uma morte qualquer. Será que algum dia a gente cansa de esperar por algo diferente? Será que algum dia o diferente cansa de fugir da gente? Será que realmente desejamos o que é diferente? Tentar mudar e falhar é frustrante. Logo, ficamos na mesma. Na mesma posição vulnerável e enfraquecida que acompanha todos aqueles que amam muito. Talvez a tranquilidade seja um privilégio de poucos. Ou algo que a gente só conquista depois dos 60 anos, quando já não pensamos em mais nada. A tranquilidade gosta de ser interrompida. As coisas velhas não se encaixam, mas a poeira de sentimentos antigos que não se deixam varrer sempre fica. Como manter a sanidade mental em meio aos cenários mais perturbadores? Eu costumo escrever, contar letras… mas acabo sendo engolida por desafios descabidos e invencíveis. Me dê a mão, eu busco a cura. Só. Sozinha.