de pé

Você não vai encontrar

Alguém que faça teu chá
Que enfeite teu espelho
Que cheire teu cabelo
E não vai mesmo encontrar
Alguém que troque tudo
Que esqueça do mundo
Que seja seu muito 
Esperei a vida toda
Pra dar tudo que tinha
Pra alguém que nem queria
Ser dona ou ser minha
Era tudo brincadeira
Uma bobeira passageira
De quem ainda não sabe
Doar e ser inteira

nunca esteve

Eu quis que você fosse um pouco de mim
Achei que me aceitava
No espaço de tempo entre acordar e dormir
Por muito tempo, acreditei que voltava
Mas não é justo, sabe?
Hoje sou mais minha
Não dou tempo pra chorar
Não tenho tempo pra ficar sozinha
Sozinha, só quando você me visita
Entra, toma café, bate-papo
Mas a verdade
A verdade é que você nunca esteve ali
Nem ali, nem aí.

complicou

E a vida vai ficando complicada

Mas ainda gosto quando chove

Lembro daqueles domingos cinzentos

Acordávamos, olhávamos pela janela

Você dizia: vem, vamos dormir mais 

Nos abraçávamos e o mundo podia cair, eu nem ligava

Hoje, acordei e lavei o rosto

Ontem, deixei o coração de molho

Percebi que cinza é minha cor preferida

Admiti que o inverno não tem volta

Os dias viram merda na frente dos meus olhos

Os olhos comem os dias e vomitam meus ossos

Querer sozinho é morrer sem levar tiro

Escrever pra você é sagrado, é suicídio

Nem precisou de faca pra me matar

Nem precisou de flores pra me homenagear