Devagar

De repente, me vi fora da tempestade. Agora, de longe, observo o furacão e reconheço sua força. Mas ele não me assusta mais: até a natureza sabe a hora de parar. Uma chuva mansa toma conta do meu (e só meu) cenário. Acompanho gota por gota e aprendo muito com o pinga-escorre incessante na janela – paciência. Entre os escombros, o suficiente para reconstruir o que se perdeu. Várias surpresas. Carrego uma certeza estranha, a certeza de que vai acontecer de novo. Já está acontecendo.

Pra quem tem o coração cheio de coragem, o que é mais um arranhão? Mais uma queda? Medo não cabe aqui. Nunca coube. A solidão é uma trip muito louca e, no meio da viagem, acabei entendendo que antes de descobrir a senha do wi-fi preciso entender qual tipo de conexão quero ter. Se é que esse lance de conexão realmente existe, né? Só acredito no que posso ver – tocar – lamber – morder – irritar.

Esse papo de auto-suficiência pode ser uma chatice, é verdade. Todo mundo precisa de algo pra venerar. Todo mundo quer ter para onde correr. Se você não tem, vá correr no parque. Ande por aí, mas não encha o saco dos outros. Fale menos, escreva mais. O vazio acaba se transformando em paz. Garanto.

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