verão

Tenho uma vida diferente, gosto dos meus amigos novos. Refiz o que foi destruído, mas algo continua quebrado. Ainda quero te levar para uma viagem por estradas bonitas.

Algumas coisas a gente só escreve pela embriaguez. E você continua sendo o pior erro: amar é um fracasso poderoso, que podemos aceitar ou não.
Sucesso não é sinônimo de dois: pra viver bem não preciso ser plural. Singular é minha sina e eu aceito ser só eu. Frio, amor, você… tudo a mesma coisa. 
Vem me dar um beijo, toda boca é bem-vinda. Todo selo é garantido e toda mágoa é engolida. É verão dentro da minha cabeça.

de pé

Você não vai encontrar

Alguém que faça teu chá
Que enfeite teu espelho
Que cheire teu cabelo
E não vai mesmo encontrar
Alguém que troque tudo
Que esqueça do mundo
Que seja seu muito 
Esperei a vida toda
Pra dar tudo que tinha
Pra alguém que nem queria
Ser dona ou ser minha
Era tudo brincadeira
Uma bobeira passageira
De quem ainda não sabe
Doar e ser inteira

nunca esteve

Eu quis que você fosse um pouco de mim
Achei que me aceitava
No espaço de tempo entre acordar e dormir
Por muito tempo, acreditei que voltava
Mas não é justo, sabe?
Hoje sou mais minha
Não dou tempo pra chorar
Não tenho tempo pra ficar sozinha
Sozinha, só quando você me visita
Entra, toma café, bate-papo
Mas a verdade
A verdade é que você nunca esteve ali
Nem ali, nem aí.

complicou

E a vida vai ficando complicada

Mas ainda gosto quando chove

Lembro daqueles domingos cinzentos

Acordávamos, olhávamos pela janela

Você dizia: vem, vamos dormir mais 

Nos abraçávamos e o mundo podia cair, eu nem ligava

Hoje, acordei e lavei o rosto

Ontem, deixei o coração de molho

Percebi que cinza é minha cor preferida

Admiti que o inverno não tem volta

Os dias viram merda na frente dos meus olhos

Os olhos comem os dias e vomitam meus ossos

Querer sozinho é morrer sem levar tiro

Escrever pra você é sagrado, é suicídio

Nem precisou de faca pra me matar

Nem precisou de flores pra me homenagear

Pra onde eu vou agora?

Desde que tudo aconteceu não tive forças para colocar uma só palavra no papel. Não estou mais forte. Mas, estou aqui numa tentativa (provavelmente frustrada) de substituir você pelas palavras que saem da minha cabeça. Olha, seu amor me levou ao melhor de mim… nem eu sabia que podia ser tão legal com alguém. Sou fria e ofereço piadinhas (todo mundo dá risada, juro) porque não sei oferecer carinho. Eu só sabia dar carinho pra você. Quando duas pessoas que se amam não conseguem entrar em sintonia… é só mudar o disco. Não precisava ser tão dolorido assim. Vamos falar de outras coisas, a gente tem repertório pra tudo. Já sonhamos com todos os lugares do mundo, já demos risada daquele porre que tomamos no avião… vamos pegar mais aviões e mudar de assunto. Não precisava ser tão dolorido assim. Os machucados não ficam pra sempre, eu prometo. De qualquer forma, só quero que saiba que aquele caderninho que te dei continua verdadeiro: tudo que eu mais amo em você, está lá. Quando quiser é só abrir e lembrar. A sua risada ainda preenche todo o meu coração. Dentro de mim só cabe você, mas tá todo mundo na rua. No meu Instagram é carnaval: fotos lindas, risadinhas com gente que acaba de chegar. Você era meu lugar no mundo. Pra onde eu vou agora?

O final não muda

Algumas coisas foram feitas pra não dar certo. Vamos aceitar isso. Se doer, paciência: tudo dói aqui na cidade. As pessoas falam de amor porque não conhecem sua crueldade. É, o desconhecido sempre foi mais interessante para os covardes. Quando o amor se volta contra você, ele rouba toda a sua paz. Por isso, faço o tipo descrente… mas no fundo acredito. Acredito que vou parar de olhar pro telefone. Acredito que tudo vai voltar a ser como era. Só que não vai. Você não quer. Eu gastei sua paciência. Que coisa! Dizem que quem ama espera, quem ama compreende, quem ama… ama. Eu amei. Ainda amo. Tô sempre amando, sempre perdendo. Quem ama perde. Quem ama chora. Sempre. O final não muda… e eu também não. Até quando?