Bom dia?

Será possível que tudo precisa mudar? Certas coisas deveriam ser estáveis, mas a vida simplesmente ignora nossa opinião. Amar não é dizer que ama. Amar é fazer por onde. Vivemos uma época de carências e urgências que são saciadas através do significado de palavras que, de fato, não passam de palavras. Muito é dito, pouco é feito… e o que é dito muda com a velocidade da luz. Quando essa mudança acontece, a cabeça fica confusa. Tanto foi prometido, tanto foi esperado… mas não ter pelo que esperar também é ruim.

Quando o jogo vira, é necessário recolher as cartas e estudar uma nova maneira de ganhar. Acordar, lavar o rosto e enxergar no copo sujo de café uma solução. Uma solução que equalize os desejos e não banalize o que chamamos de sentimentos. Eu te amo na segunda, mas na sexta te odeio e não quero mais conversar. Saímos para jantar na quarta, mas no domingo já quero almoçar sozinho. Explicitam o amor de todas as formas possíveis, mas ele passa por nós tão rapidamente que sofrer se torna algo corriqueiro. Vamos andando, o trem já vai partir e amanhã temos um novo e veloz começo.

Anúncios

Carta ao meu infortúnio

Infortúnio é observar essa tela em branco. Me engolindo, me roendo. Esperando que eu escreva algo.
Esperando que eu conte. Que eu vomite de forma organizada e suficientemente tocante o que me preocupa, o que me constrange.
Eu quero contar, mas é estranho, não sei como. Vou tentar escrever uma carta.

– Querida folha de papel em branco…
– Diga! (sim, eu falo)
– Nossa!
– Continue.
– Bom, querida folha de papel em branco… sinto uma dor enorme em meu coração. Mas isso já se tornou tão corriqueiro, 10 minutos de alegria e 3 meses de sofrimento.
– Não se preocupe.
– Não?
– Veja meu caso. Passo os dias aguardando que alguém me preencha. Que alguém faça das letras meu alimento. Sou vazia.
– E isso não acaba com você?
– Não. Porque no meu vazio, nessa imensidão branca e límpida, sempre encontro uma velha companheira.
– Quem?
– A esperança.