Para passar o tempo

Aguentar é obrigatório
Beber tolerância em um copo de café também
Enquanto você não vence
Tome um banho
Enxugue as lágrimas e os dedos do pé
Jogue cartas, arquitete uma estratégia
Não vá pensar muito
Beba cerveja sem se esquecer do copo de café
Escreva algumas besteiras
Inicie uma conversa ou grite com alguém
Apague o amor sem utilizar a borracha
Corte um dedo, ou dois
Observe o sangue
Contemple a morte em vida
Continue aguentando
Veja as pessoas e as luzes lá fora
Contente-se com seu quarto escuro
Ao sair, não feche a porta
Afinal, você vai voltar

O de sempre, por favor.

Observo alguns casamentos e percebo que vocês estão com a razão. Nada é para sempre, e se é, não passa de uma mistura de tolerância e paciência. Não quero coisas com prazo de validade. Não quero que um amor se torne um favor. Sei que somos feitos de instantes. Fragmentos de situações que proporcionam prazer, ódio, alegria ou dor. Mas pagamos um preço muito caro por essa vida de momentos. Tenho um senso de liberdade que não condiz com a nossa atual situação social. Para mim, liberdade é ter alguém realmente importante para dividir. Liberdade não é beijar um milhão de bocas como se o mundo fosse acabar amanhã. Acho que minha ingenuidade faz com que eu lute por coisas que não existem, tipo amor eterno. Amor eterno realmente não existe. Épocas existem. Contextos existem. Ótimas transas existem. Mas constância e permanência, não. Em tempos modernos, continuo sendo antiga. Continuo escolhendo a profundidade. E continuo me ferrando. 🙂

Café

O silêncio é o silêncio
Acreditem ou não, ele fala
Fala com as palavras
Que estão rabiscadas em meus olhos

O silêncio espera
Ele é a prudência
Daqueles que não querem errar
Ao abrir a boca

Eu prefiro errar, falar, gritar
Mas tudo isso em silêncio
Na quietude de quem chora
Com a cara no travesseiro

Onde eu penso que vou?
Eu nem queria ir mais
Vou deixar o silêncio
Dizer o que quer

Vou soltar sua mão
Devagar, de forma suave
E ocupar as minhas
Com um copo de café.