Mais cor, mais vida.

Fora do eixo, fora do lugar. Como um recorte de revista mofado embaixo de um armário velho, tentando voltar para a página da qual saiu.
Não repudio o café quente derramado em minhas pernas, nem os cacos de vidro debaixo dos meus pés. Não caminho dentro da estrada: a estrada é que está caminhando dentro de mim.
Sou uma mera espectadora, posso ver toda a confusão daqui de cima. Mostrei o que havia para mostrar. Sendo suficiente ou não, isso sou eu. Isso é a vida.
E, meus caros, como todos dizem, a vida vai embora. Vai embora num sopro, num coração partido, num dia mal vivido. No trânsito, nas reuniões tediosas… nestes momentos, a vida se esvai.
Mas que belíssima contradição, não é mesmo? Esta mesma vida que se desmancha em situações indesejadas, exige que dediquemos boa parte do nosso maior bem, o tempo, à coisas e histórias igualmente chatas e cinzentas. O segredo é buscar as cores. Sei bem onde elas se escondem e posso te contar. Se quiser, é claro.

Cinza

Compro meus dias vazios
Com moedas de azar
De amores já não falo
Se há temores, me calo.

Dias mal vividos
Momentos esquecidos
Talvez eu fique
Talvez eu vá.

Acredito nas nuvens
Que vão e voltam
Sem propósito algum
Assim estou.

De você, não quero saber.
De mim, também não.
Por você, não me interesso.
Por mim, tampouco.