partiu

As pessoas vão embora. Aí chegam outras. Que depois, também vão embora. Todo mundo tem sua hora de ir. Eu queria ficar, mas já fui: tô escrevendo de lá. Como é lá? Lá não tem tu… quero ir embora pra onde ainda tenha you. No meu coração não tem trânsito, mas por favor… dá seta antes de entrar?

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Pouco.

É tão dolorido. Sempre procuro os mesmos cheiros, as mesmas sensações, o mesmo jeito de falar e o mesmo sotaque. Não sei se adiantaria te ter de volta, já que você não deve ser a mesma pessoa. Te procuro a cada noite e observo milhares de rostos que não me dizem absolutamente nada. Minha vida busca o aprendizado que não tivemos por falta de tempo ou por falta de vontade. Entretanto, devo destacar que você não passa de um símbolo. Você é a única imagem que tenho do amor, a personificação do que sempre insisti em ter mas nunca realmente consegui. Deve ser por isso que não te tiro da cabeça. Foi pouco tempo. Foi pouco, mas é minha única referência diante de tanta gente que não serve pra ser referência.

Paixonites

Em noites como essa, de muita chuva e pouca conversa, o que me resta é escrever. Escrever para acreditar que estou conversando com alguém. Talvez seja uma conversa comigo mesma. Eu, na minha mais pura inocência, acreditei que um dia pudesse fazer do ato de escrever uma profissão. De fato, dá para fazer. Mas isso só é para quem é perfeito, para quem fez cursos com Eugênio Mohallem ou conhece algum organizador de Cannes. Eu, uma qualquer comum, não posso com a redação. Não posso porque não sou perfeita. Não posso porque não escrevo do jeito que querem que eu escreva. Não organizo as letras com o cérebro, organizo com o coração, mas confesso que hoje meu coração está desorganizado… sempre falo dele por aqui… afinal, é ou não é um órgão vital? Só estou dando a devida importância. Mas é como diz o ditado: quanto mais você quer, menos você tem. Eu não tenho nada… porque sempre quis muito. Imaginava tardes lindas deitada na grama de mãos dadas. Noites de chuva no cinema, viagens intermináveis… que nunca existiram. Como eu faço para não querer? Para não desejar? Sou humana, preciso de carinho, preciso de amor. E não tenho. Assim como não tenho a capacidade de comprar um carro ou uma casa através das coisas que escrevo.

1 milhão de vícios

Acho que me cansei de escrever
Não sinto vontade
Meu coração não fala
Nada é motivo

Estou lendo um livro
Acompanhando histórias
Elas não saíram de minhas mãos
Pouco importa

Tenho 1 milhão de medos
Ouço 1 milhão de gritos
Mas 1 milhão de letras
Já não me arrepiam

Todo esse tempo
Já não significa nada
Quando na vida não vemos sentido
Quem morre é a palavra

Veneno

E agora chega o coração, invertendo todas as minhas certezas, cansando meus olhos, me proibindo de ver a beleza que sempre esteve diante de mim. Na minha confusão, queria um abraço. Queria um pedaço do que perdi quando te encontrei. Não dá pra chorar sem lembrar do meu destino, do teu desatino. Você chegou sem avisar que viria, disse que seria minha, não bateu antes de entrar. Não é justo que eu consiga descansar só em teus braços, que ainda queira seguir seus passos. Diz, por favor, o que quero escutar. Tire minha roupa, e leve com você meu fôlego. Veneno (s.m), do latim venenum: Substância que mata seres vivos ou os torna doentes. Acho que estou doente. Não por mero acaso, veneno é o nome do seu perfume.

Linha de Chegada.

É. Cheguei ao auge da minha dor. Ao auge de algo que não tem solução. Escrevo para não sufocar ainda mais tudo que me dilacera por dentro, mas, não sei ao certo o que dizer. Parece que todos os órgãos do meu corpo querem gritar, tomar uma atitude. Meu cérebro já não responde meus chamados, e meu coração… bem… este bate cansado e com frio. Dói, não tem remédio, e pelo que vejo, para sempre vai doer. Olho para mim e só encontro distância: distância do futuro, do passado, e do presente. Fragmentos de lembranças que quero retomar, mas que não podem ser revividas. Nada de muito concreto: um abraço aqui, um beijo ali, coisas assim, desejáveis e irremediáveis. Não mais acredito em solução, em milagres, ou em pessoas. Acredito em relatos, como este. O relato do dia em que deixei de sonhar. Julguem, achem o que for melhor achar. Nada mais arranha minha mórbida paz.