Apenas seja.

Entender o elo de ligação que faz com que os pais projetem nos filhos expectativas que não condizem com a realidade. Esta é a minha missão nesse momento.

Gostar de carne, frango, homem ou mulher. Atuar como físico, jornalista, engenheiro ou palhaço de circo. São apenas preferências, tão medíocres quanto nossa breve existência no planeta. E justamente por ser dona de uma existência tão breve, eu escolho a felicidade. Escolho ser quem eu sou, por mais egoísta que essa escolha possa parecer.

Cultivo um profundo amor por meus pais. Mas também cultivo um profundo amor por quem sou, e tenho plena noção de que, como cantam os Engenheiros do Hawaí, somos quem podemos ser. Temos nossas peculiaridades e diferenças, que servem para exercitarmos a tolerância e o respeito.

Enquanto as pessoas se preocuparem com o que faz o outro feliz e não com a felicidade em si, teremos esse mundo violento, caótico e amargo. Ninguém gosta de causar sofrimento ao outro, principalmente quando o outro é alguém que você ama muito. Mas se o sofrimento é causado por uma simples preferência, não há nada que possa ser feito.

Ame-se. Seja quem você é, seja o que você gosta de ser. Faça apenas o que te dá prazer. Felicidade e egoísmo andam juntos, feliz ou infelizmente.

Nosso tão questionável egocentrismo

Ontem, estava eu na fila da farmácia protagonizando mais um interessantíssimo episódio da minha nada mole vida, quando uma senhora, de uns 70 anos, deixou cair sua carteira no chão. Pacientemente, peguei o objeto e o devolvi para sua dona. A mulher, mera desconhecida que nunca havia visto mais gorda, ficou totalmente impressionada com a situação, e me agradeceu um milhão de vezes por ter simplesmente devolvido o que já era dela. Ok, sei que é clichê escrever sobre o egoísmo humano, mas fiquei tão tocada (no bom sentido, seus sujos) com a situação que resolvi me manifestar. É incrível como perdemos nosso senso de coletividade, mas seria extremista demais culpar alguém ou algo por isso. Nos dias em que vivemos, muitas vezes ao tentar um ato altruísta e de desprendimento, somos vítimas de inúmeros golpes. Além disso, a fragmentação de nossa época não nos permite olhar para outro alguém que não seja do nosso convívio, simplesmente não temos tempo. Não temos tempo de ajudar o outro, pois não conseguimos se quer nos ajudar. Apesar de tudo isso, exercitar a educação que nos foi dada é sempre gratificante. Receber um sorriso é sempre agradável.