Paixonites

Em noites como essa, de muita chuva e pouca conversa, o que me resta é escrever. Escrever para acreditar que estou conversando com alguém. Talvez seja uma conversa comigo mesma. Eu, na minha mais pura inocência, acreditei que um dia pudesse fazer do ato de escrever uma profissão. De fato, dá para fazer. Mas isso só é para quem é perfeito, para quem fez cursos com Eugênio Mohallem ou conhece algum organizador de Cannes. Eu, uma qualquer comum, não posso com a redação. Não posso porque não sou perfeita. Não posso porque não escrevo do jeito que querem que eu escreva. Não organizo as letras com o cérebro, organizo com o coração, mas confesso que hoje meu coração está desorganizado… sempre falo dele por aqui… afinal, é ou não é um órgão vital? Só estou dando a devida importância. Mas é como diz o ditado: quanto mais você quer, menos você tem. Eu não tenho nada… porque sempre quis muito. Imaginava tardes lindas deitada na grama de mãos dadas. Noites de chuva no cinema, viagens intermináveis… que nunca existiram. Como eu faço para não querer? Para não desejar? Sou humana, preciso de carinho, preciso de amor. E não tenho. Assim como não tenho a capacidade de comprar um carro ou uma casa através das coisas que escrevo.

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1 milhão de vícios

Acho que me cansei de escrever
Não sinto vontade
Meu coração não fala
Nada é motivo

Estou lendo um livro
Acompanhando histórias
Elas não saíram de minhas mãos
Pouco importa

Tenho 1 milhão de medos
Ouço 1 milhão de gritos
Mas 1 milhão de letras
Já não me arrepiam

Todo esse tempo
Já não significa nada
Quando na vida não vemos sentido
Quem morre é a palavra