keep your head up

 

 

Quero entender a origem dos meus medos. Quero ser uma pessoa melhor, mas estou velha e cansada. Sei bem que isso não é desculpa, mas as coisas poderiam ser mais fáceis… só para variar. Quando atingimos certa idade, é possível perceber que aquele “jeitão” que nos acompanha já criou raízes. A mania de tirar a tampa do controle remoto, a forma estranha de amarrar o tênis, os estragos no tubo de pasta de dente… tudo isso já faz parte da nossa personalidade. Com mais idade, nos tornamos intolerantes ao que prejudica nosso conforto e nossa sanidade mental. A paciência com o outro acaba. A vontade de jogar tudo pro alto aumenta. Mas, aí me lembro que: sou um mero ser humano e dependo de outros seres como eu para fazer QUALQUER tipo de coisa. É mesmo impossível ser feliz sozinho – infelizmente. Queria poder ser eu, mesmo sendo um alguém totalmente insuportável. Queria que o fato de ser como sou fosse o suficiente. But no. Nunca é. E é preciso melhorar, aprender, ajustar… pra vida ser mais leve. Será? Sei lá. Protocolos sociais e padrões de comportamento sempre me cansaram. Muito. 

 

O jogo da calcinha bege

Sempre quero escrever sobre assuntos não permitidos. Sou romântica, sou cafona. Quero falar muitas coisas mas é preciso ter cuidado, a gente tem que se preservar e se reinventar sempre.
A dica é: não se mostre. Não se mostre nunca. Sempre fui contra joguinhos. Se eu ligo, estou demonstrando interesse. Se não ligo, não demonstro que quero. Mas depois de algumas experiências, vejo que o jogo é necessário. As pessoas não funcionam sem jogos. É tudo muito louco, acompanhem comigo… se quero algo, não posso mostrar que quero. Acho isso um absurdo, mas o conselho mais comum que recebo é: finja que não está nem aí. Nasci com defeito, não sei fingir. Resultado: vou ficar solteira pra sempre. Caso isso de fato aconteça, já aviso que serei bem feliz. Não terei que mudar meu jeito por ninguém, e meu gato provavelmente vai me amar como sou. Vou poder usar calcinha bege. Vou poder deixar a toalha molhada na cama. Vou poder dormir ocupando a cama toda. Claro que existem alguns contras, mas já estou velha. Tenho preguiça de me adaptar ao outro. Goste de mim como sou ou se retire, porque honestamente, não vou mudar. E nem quero.