Escapar

Chegamos. Mais um 12 de junho, Dia dos Namorados. Mais um 11 de junho, meu aniversário. A proximidade das datas deve explicar a necessidade que sinto de ter alguém ao meu lado. É claro que se trata de uma celebração vendedora. É claro que se trata de uma tentativa de desencalhar suítes caras em motéis, pratos em restaurantes franceses e perfumes chiques em lojas bizarras.

Algumas pessoas precisam do amor para que continuem com suas vidas, e felizmente este não é meu caso. Eu só preciso estar apaixonada por algo, por alguém, por uma música, por uma frase… por qualquer coisa. 2012 não está me oferecendo muitas paixões. 2012 está me oferecendo tapas na cara e pauladas na cabeça. Parece que sempre vivi numa bolha e que agora estou acordando para a (amarga) realidade.

Tenho medo das coisas que sinto vontade de fazer. A gente sempre se assusta com mudanças negativas, e todos dizem que é preciso ter coragem. Não vejo ninguém ao meu lado. Só vejo o silêncio me engolindo. Gostaria de ser uma pessoa melhor para os que me cercam, mas meu melhor é este. Não sei como vou tolerar o que está por vir. Preciso me apaixonar de novo. Por qualquer coisa.

Palavras não precisam de significados ou de combinações complexas para que façam sentido. Não dá pra traduzir a vida, não dá pra entender o que ela quer. O tempo vai passar e os problemas práticos vão substituir o amor e suas doçuras. Não sei mais o que esperar do resto deste ano. Quero doses. Quero porres. Quero forças.

Levando

Essa coisa toda de viver
De ter que chegar
De ter que ganhar
Não é pra mim
Vejo gosto em andar, ralar o joelho
Experimentar
Vejo gosto no desgosto
E acredito em coisas simples
Se você não sujar as mãos
Nunca vai ter do que se orgulhar.

Não passou

Segurei sua mão. Você prestava atenção no filme, e eu, enquanto sentia seus dedos, pensava: Agora estamos aqui. O tempo parece paralisado, e te tenho comigo da forma mais segura e bonita possível. Muitas coisas passaram pela minha cabeça. Planos, desejos, medos e lembranças. Me sinto atormentada ao saber que depois de algumas horas (momento em que o filme terminaria), aquela segurança toda ia se acabar. Te deixaria em casa e mais uma vez você iria viver seu mundo e eu iria viver o meu, sem você. No dia seguinte, acordaríamos cedo para trabalhar e aquilo tudo seria apenas mais uma memória em meio à e-mails solicitando planilhas, telefonemas cobrando relatórios e papéis por cima da mesa. E é assim que tem que ser. Efêmero, momentâneo e casual. Assim como você quer.

Café

O silêncio é o silêncio
Acreditem ou não, ele fala
Fala com as palavras
Que estão rabiscadas em meus olhos

O silêncio espera
Ele é a prudência
Daqueles que não querem errar
Ao abrir a boca

Eu prefiro errar, falar, gritar
Mas tudo isso em silêncio
Na quietude de quem chora
Com a cara no travesseiro

Onde eu penso que vou?
Eu nem queria ir mais
Vou deixar o silêncio
Dizer o que quer

Vou soltar sua mão
Devagar, de forma suave
E ocupar as minhas
Com um copo de café.

Sabe

Sabe
Eu nem sei mais do que eu tô falando
Quis escrever a letra mais simples
Entender o que há em mim

Sabe
Algumas coisas não são pra ser
Algumas palavras não precisam ser ditas
As coisas se renovam

Sabe
A calmaria vem aí
Foi o que eu sempre pedi
Não sei se é natural

Sabe
Suas mãos são minhas
Sua boca é macia
E eu vou me entregar.

Sabe
Finalmente eu troquei o assunto
Eu tô tranquila
Eu vou voar.