Minha onda

Seus olhos
Quando cruzam os meus
Queimam a alma
Derretem o tempo

O mundo fica paralisado
Para assistir
Isso que não sabemos o nome
Isso que queremos querer

Gosto de sentir sua pele
Encostando na minha
De te ver andando sem roupa
Gosto de gostar de você

Mas o perigo existe
O risco é presente
Tenho medo de continuar
De te descobrir ausente

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Cria

Sou eu
Só eu
Somente eu
Me olhando

Examino-me com cuidado
Vejo que nada disso
Vai vingar
Vai suportar

Minhas carnes
Meus ossos
Nem me preocupo
Vou pra lá

Tem uma coisa engasgada
Logo aqui onde não deveria ter
Minha garganta dói
Porque quer despejar algo

Já lhe digo:
Se cria és, de suas criações
Viverás criando
Viverás de falsos bordões

O nada vem do nada
Se você não anda
Continua sendo zero
Zero, estático

Essa vida é uma babaquice
Quando eu morrer
Vou perguntar pra Deus
É agora que começo a viver?

Provas

Os gritos
Desilusões
Brigas dentro dos carros
E arranhões

Provam apenas
Que a vida vive
Que a vida pulsa
E que ainda não morri

O mundo
Está em suas costas
Cansadas
Afetadas

Quanto maior o fardo,
Maior o fardo.
Não é repetição
O fardo só se expande

Tanto para provar
Corre e não sai do lugar
Expectativas do futuro
Expectativas sem querer

A cobrança vem de dentro
O bombardeio vem de fora
Os muros caem em minha cabeça
E a vida…

A vida quer é viver.

Mais uma vez

Chega de colocar a culpa em mim
Fiz por você o que não fiz por ninguém
Dei o melhor dos abraços
Te enfeitei com mil laços

Agora, se não quer
Vou tentar aceitar
Outra pessoa enganar
Outro corpo aquecer

Não vou esperar
Mais um beijo
Mais um toque
Mais uma lamentação

Mais uma mentira
Mais um amor
Mais um medo
Mais um não.