Bobagem

Mesmo em meio aos grupos nos reconhecemos

Somos indivíuos e assim continuaremos

Nossas características intrínsecas pouco importam

Contanto que saibamos como escondê-las nos momentos certos

Hoje assumo minha solidão

E por ser só me conheço muito bem

Tanto precisei de gente

Tanto desejei alguém

Mas percebo que isso é bobagem

Sou uma pessoa mais interessante porque já sei quem sou

E só sei quem sou porque passei muito tempo comigo mesma

Bebi, dormi e acordei engolindo meu próprio choro

Me peguei rindo sem motivo algum

E estou perseguindo minha paz, assim como gatos perseguem ratos

Assim como perseguimos idéias idiotas que não saem de nossas cabeças.

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Perturbações

É preciso ressaltar que um certo marasmo tem tomado conta da minha vida. Se isso é estar em paz, acho que até gosto… mas sou geminiana. Como boa geminiana, estou sempre procurando algum incômodo. Algo para pensar, algo para desvendar ou algo para ocupar espaço em minha mente. Confesso que tenho conhecido muitas pessoas. Mas tenho conhecido pessoas que não suprem essa necessidade de estar sempre descobrindo algo novo. O sentimento da vez vai muito além de frustração. Na verdade, sinto um certo desespero. Tenho pressa. Quero compartilhar minhas inconstâncias e minhas vulgaridades favoritas com alguém, e isso não é novidade. Mas preciso de alguém que consiga me mostrar diferentes pontos de vista. Preciso de alguém que me critique, que me estimule e que me provoque. Por enquanto, estou vazia. Completamente desprovida de qualquer sentimento que possa me conectar com as mesmices do cotidiano. Sei que é preciso estar vazio para esquecer significados que não mais fazem parte do que somos. Por isso, sigo tranquila, ignorando (ou tentando ignorar) minha incapacidade de tolerar o senso comum.

Erros e motivos

Querer que dê certo é insistir em fazer o errado. Muitos erros cometeremos na busca do que julgamos correto. Eu e você somos frutos de coisas que falharam… e estamos dando certo. Sua boca é o que eu chamo de paz, e seu cabelo é o que eu chamo de céu. Tudo que eu mais quero é continuar errando com você, sem soltar sua mão. Acredito em encontros preciosos, e o nosso foi um deles. Aliás, não foi um encontro. É um encontro. Continuo te encontrando todo dia… no gosto bom de um pedaço de bolo, no alívio de um banho demorado ou em horas bem dormidas. Não te amo por conveniência. Não te amo porque é fácil. Te amo porque é difícil, e porque temos milhares de problemas e diferenças. Te amo porque lutar por você me faz feliz. Te amo porque nosso amor não é desses que se encosta em qualquer motivo idiota para se amar. Te amo… porque te amo.

Carta ao meu infortúnio

Infortúnio é observar essa tela em branco. Me engolindo, me roendo. Esperando que eu escreva algo.
Esperando que eu conte. Que eu vomite de forma organizada e suficientemente tocante o que me preocupa, o que me constrange.
Eu quero contar, mas é estranho, não sei como. Vou tentar escrever uma carta.

– Querida folha de papel em branco…
– Diga! (sim, eu falo)
– Nossa!
– Continue.
– Bom, querida folha de papel em branco… sinto uma dor enorme em meu coração. Mas isso já se tornou tão corriqueiro, 10 minutos de alegria e 3 meses de sofrimento.
– Não se preocupe.
– Não?
– Veja meu caso. Passo os dias aguardando que alguém me preencha. Que alguém faça das letras meu alimento. Sou vazia.
– E isso não acaba com você?
– Não. Porque no meu vazio, nessa imensidão branca e límpida, sempre encontro uma velha companheira.
– Quem?
– A esperança.