Para passar o tempo

Aguentar é obrigatório
Beber tolerância em um copo de café também
Enquanto você não vence
Tome um banho
Enxugue as lágrimas e os dedos do pé
Jogue cartas, arquitete uma estratégia
Não vá pensar muito
Beba cerveja sem se esquecer do copo de café
Escreva algumas besteiras
Inicie uma conversa ou grite com alguém
Apague o amor sem utilizar a borracha
Corte um dedo, ou dois
Observe o sangue
Contemple a morte em vida
Continue aguentando
Veja as pessoas e as luzes lá fora
Contente-se com seu quarto escuro
Ao sair, não feche a porta
Afinal, você vai voltar

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Tudo igual

Sempre acordou por volta das 8:00 da manhã. Tomava seu café, olhando para a cara de sua mãe. Ela lhe impunha respeito, possuía feições duras e ríspidas. Na verdade, o conjunto da obra lhe dava medo. Feito isso, sentava em seu carro e dirigia até seu trabalho. O trânsito empoeirado da cidade lhe dava nojo, e ia tossindo seus rancores até o destino final. Chegando no trabalho, antes de descer de seu carro, típico de classe média, passava a mão no rosto e respirava fundo. Era uma espécie de ritual, algo que não podia faltar para começar o dia. Pegava sua sacola alaranjada, com algumas bugigangas, e subia até o segundo andar. Avistava sua cadeira cinza de apenas duas rodinhas (as outras estavam quebradas), sentava-se, e ligava o computador. Nas horas vagas, escrevia crônicas. Seu maior medo era se tornar uma pessoa mediana. Alguém como eu, ou como você.