Sobre o sucesso

Sempre gostei das tardes arrastadas. Nelas, só pensava em uma coisa: sucesso. Mas não imaginava um sucesso do tipo “ iate – flat em NY – BMW X1 ”. Imaginava um sucesso “ segurança – amor – apartamento na Lapa ”. Buscava, na verdade, um ponto de fuga através do qual pudesse me encontrar. E essa fuga sempre teve nome e endereço. Fugíamos. Fugíamos debaixo dos lençóis, fugíamos nos passeios da tarde. Cada sms nos teletransportava para longe do que estivéssemos fazendo. E o problema sempre foi esse: a fuga. Chego ao ponto de não conseguir mais conviver com a realidade cinza e concreta da falta de amor. Mas, quando o realismo se faz presente através de doses cavalares de grosserias e verdades, sofro. É só o que sei fazer. Pessoas mentem e são egoístas.

FIM.

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Música

10 graus em São Paulo. Estava eu no meu trabalho, lendo algumas notícias, como de costume, quando uma em especial me chamou a atenção. Comecei lendo a história de um menino, de 16 anos, que teve algumas músicas lançadas por uma gravadora americana. Pensei: Genial esse garoto. Rolando a barra do computador um pouco mais para baixo, para minha surpresa, encontrei a palavra “ póstumo ”. Era um álbum póstumo que estava sendo divulgado. Vinícius Gageiro Marques (mais conhecido no mundo musical como Yonlu), gaúcho, se suicidou aos 16 anos através de um site da internet. Fiquei incrivelmente tocada com a história deste músico. Ao ouvirmos seu trabalho (http://yonlu.com), ficam nítidas a melancolia com a qual Vinícius lidava com a vida, e também sua inteligência. O poder da música é indiscutível. Ela cura, ela nos faz querer, nos faz desistir. Escrevo tudo isso pois vivo uma fase na qual tenho encontrado apoio total na arte. E música é arte. Porém, para estimularmos e até mesmo revelarmos dotes artísticos, temos que trilhar um longo caminho. Já dizia Raul Seixas: ” Saudades de quando eu era burro, sofria menos “. Muitas vezes, ao entendermos as verdades (ou não) do mundo, nos desesperamos. Nos desesperamos, pois conseguimos finalmente ver que tudo não passa de um jogo de sentidos e significados que, na verdade, não existem. Citando agora Rita Lee, ” tudo vira bosta. ” E vira mesmo. O que me deixa triste, nessa história toda, é saber que Vinícius transformou a arte em ferramenta de auto-destruição, e não de cura. Mas, não sou ninguém para entender a imensidão dolorida de sentimentos existentes em um humano. Fica aí minha homenagem. Em meio à tanto lixo, pessoas talentosas devem ser homenageadas. Vivas, ou não.