Tocando em frente
Você tem que andar
Na corda bamba
Equilibrar
Se cair, desanda
Não deixe
O sentimento te dominar
Não esqueça o coração
Mas preste atenção
Abra os olhos
Sua vida
É você quem faz
Não dependa de ninguém
Levantar
É sua obrigação
Olhe pra frente
Ninguém vai te dar a mão
Sofra o que tem pra sofrer
Viva o que tem que viver
Mas não esqueça
Confiar, só em você
Saiba de onde veio,
Tenha orgulho dos seus pais
Caminhe sozinho
Faça sempre mais
Mais do que esperam
Mais do que é possível
Mais do mundo
Mais você.
T.N.T
Tem que fazer
Ninguém vai te ajudar
Tem que se virar
Tem que rolar
Vão mandar
Vão cobrar
Ninguém vai explicar
Tem que fazer
Inventa, vira de ponta cabeça
Gruda, recorta, tenta
Tem que estar pronto
Tem que funcionar
Tem que ser bom
Tem que vender
Superação
Suas metas estão aí!
Chegou atrasado?
Fica até mais tarde!
Fim de semana?
Nada de cama
S.O.S
PERIGO!
T.N.T!
EXPLODIU!
De mãos dadas
Entender propósitos
Encontros
Situações e momentos
É tarefa impossível
Pessoas são trazidas
Pelo vento
Quanto mais elas aparecem
Mais me convenço
De que o surgimento delas
Não passa de uma lição
A cada perda um gosto amargo
A cada ganho uma conclusão
Mas eu queria
Que alguém passasse
Pra ficar
Pra me abraçar
Queria que alguém viesse
E me ensinasse
Me fizesse crescer
Sem soltar minha mão
Minha onda
Seus olhos
Quando cruzam os meus
Queimam a alma
Derretem o tempo
O mundo fica paralisado
Para assistir
Isso que não sabemos o nome
Isso que queremos querer
Gosto de sentir sua pele
Encostando na minha
De te ver andando sem roupa
Gosto de gostar de você
Mas o perigo existe
O risco é presente
Tenho medo de continuar
De te descobrir ausente
Café
O silêncio é o silêncio
Acreditem ou não, ele fala
Fala com as palavras
Que estão rabiscadas em meus olhos
O silêncio espera
Ele é a prudência
Daqueles que não querem errar
Ao abrir a boca
Eu prefiro errar, falar, gritar
Mas tudo isso em silêncio
Na quietude de quem chora
Com a cara no travesseiro
Onde eu penso que vou?
Eu nem queria ir mais
Vou deixar o silêncio
Dizer o que quer
Vou soltar sua mão
Devagar, de forma suave
E ocupar as minhas
Com um copo de café.
Dança de um só
Eu ainda queria acreditar que vou encontrar alguém cheio de paz, amor e dedicação para me oferecer. Eu queria acreditar, porque eu sempre fiz questão de me doar. No trabalho, no amor principalmente. Eu esperei tanto, selecionei tanto e errei outro tanto. Selecionei com meu dedo podre, como já diria uma grande amiga. Agora, de novo, me vejo despencando do velho e conhecido abismo. Na verdade, queria desacreditar, deixar para trás as coisas nas quais acredito. Elas nunca me levaram à nada, eu estou errada e tudo isso é falso. Ontem vimos a lua… ela estava linda e mais dourada do que nunca. Confesso que tive medo ao observá-la fixamente. Parecia que ela queria me contar algo… e contou. Eu fingi não entender. É o mesmo erro… o mesmo ciclo acontecendo bem diante dos meus olhos. Mais uma vez não consigo dormir, mais uma vez estou aqui me lamentando do erro repetido de sempre. E não, não vou fazer nada. Não há o que ser feito. As coisas são o que são. E eu pedi… pedi pra alguma força superior o fim antes do pior. Fui atendida. Promessas, palavras, momentos… subjetividade. Desta vez, não estou fazendo poesia. Não estou tentando escrever bonito ou encontrar palavras elegantes para sentimentos indefinidos. Só escrevo o que é. A verdade em preto e vermelho. Eu quis tentar do meu jeito… pensei que ele fosse bonito. Minha mãe sempre disse que era. Foi o que ela fez a vida toda, e a vida dela deu certo. A minha nunca foi muito certa… sempre fiz drama, chorei quando não quis e bati o pé quando quis. É que de repente me vi tocada. E de repente vi que era mentira. Não conte histórias, não se justifique, o final está aí e não tenho porque condenar certas coisas. Confesso, eu mesma estou cansada do meu prolixo e interminável blá blá blá… mas a cada palavra escrita, uma ferida é fechada. Estou tentando não escrever um pergaminho. Mas está aí, está aí. Sou burra, estúpida, idiota e imbecil. Não me deixo em paz, não abro mão do sofrimento. O que me mortifica é o meu estado. Não ouço o que me dizem, não consigo me concentrar, não presto atenção no trânsito. Vivo como uma morta… e me recolherei até parar de sangrar. De novo.
Cria
Sou eu
Só eu
Somente eu
Me olhando
Examino-me com cuidado
Vejo que nada disso
Vai vingar
Vai suportar
Minhas carnes
Meus ossos
Nem me preocupo
Vou pra lá
Tem uma coisa engasgada
Logo aqui onde não deveria ter
Minha garganta dói
Porque quer despejar algo
Já lhe digo:
Se cria és, de suas criações
Viverás criando
Viverás de falsos bordões
O nada vem do nada
Se você não anda
Continua sendo zero
Zero, estático
Essa vida é uma babaquice
Quando eu morrer
Vou perguntar pra Deus
É agora que começo a viver?
Tudo igual
Sempre acordou por volta das 8:00 da manhã. Tomava seu café, olhando para a cara de sua mãe. Ela lhe impunha respeito, possuía feições duras e ríspidas. Na verdade, o conjunto da obra lhe dava medo. Feito isso, sentava em seu carro e dirigia até seu trabalho. O trânsito empoeirado da cidade lhe dava nojo, e ia tossindo seus rancores até o destino final. Chegando no trabalho, antes de descer de seu carro, típico de classe média, passava a mão no rosto e respirava fundo. Era uma espécie de ritual, algo que não podia faltar para começar o dia. Pegava sua sacola alaranjada, com algumas bugigangas, e subia até o segundo andar. Avistava sua cadeira cinza de apenas duas rodinhas (as outras estavam quebradas), sentava-se, e ligava o computador. Nas horas vagas, escrevia crônicas. Seu maior medo era se tornar uma pessoa mediana. Alguém como eu, ou como você.
Sabe
Sabe
Eu nem sei mais do que eu tô falando
Quis escrever a letra mais simples
Entender o que há em mim
Sabe
Algumas coisas não são pra ser
Algumas palavras não precisam ser ditas
As coisas se renovam
Sabe
A calmaria vem aí
Foi o que eu sempre pedi
Não sei se é natural
Sabe
Suas mãos são minhas
Sua boca é macia
E eu vou me entregar.
Sabe
Finalmente eu troquei o assunto
Eu tô tranquila
Eu vou voar.
Provas
Os gritos
Desilusões
Brigas dentro dos carros
E arranhões
Provam apenas
Que a vida vive
Que a vida pulsa
E que ainda não morri
O mundo
Está em suas costas
Cansadas
Afetadas
Quanto maior o fardo,
Maior o fardo.
Não é repetição
O fardo só se expande
Tanto para provar
Corre e não sai do lugar
Expectativas do futuro
Expectativas sem querer
A cobrança vem de dentro
O bombardeio vem de fora
Os muros caem em minha cabeça
E a vida…
A vida quer é viver.
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