Circo

Não posso me machucar tanto
Corro o risco de nunca cicatrizar
É o preço que se paga
Por colocar o sentir antes do pensar

Inúmeras provas, eu tive
De que impulsos não são confiáveis
De que palavras são o que são
Mas eu sempre, sempre quero acreditar

Eu não sei a razão disso
Tudo que eu quero é não acreditar
Em mais ninguém
Em nada do que me apareça na frente

Não sei mais o que faço
Para me proteger de mim mesma
Alguém me avise, por favor…

quando meu nariz de palhaça cair.

Mestre de obras

Existe algo de muito obscuro em mim. Tento o tempo todo não esbarrar nessa energia. Na verdade, ela já existia há algum tempo, menos vibrante. Agora, ela pulsa dentro de mim me impedindo de realizar qualquer coisa que possa me deixar feliz. Não sinto vontade de absolutamente NADA. Não sei se sou frágil, vivo me refazendo. Mas o período que antecede a reconstrução é muito, muito grave. É como uma casa que desaba: você tem que comprar outros pisos, arrumar o telhado, procurar móveis novos e trocar as portas. Tudo isso dá muito trabalho. Seria mais fácil passar a viver numa barraca qualquer. O mesmo me ocorre agora: não quero encarar a dor, quero acreditar que por um milagre as coisas vão terminar bem. Mas não vão. Eu vou ter que reconstruir tudo sozinha, tijolo por tijolo. Peço desculpas aos meus poucos leitores, mas isto aqui é meu refúgio. Sou eu, fugindo comigo mesma. Perdão.

Não passou

Segurei sua mão. Você prestava atenção no filme, e eu, enquanto sentia seus dedos, pensava: Agora estamos aqui. O tempo parece paralisado, e te tenho comigo da forma mais segura e bonita possível. Muitas coisas passaram pela minha cabeça. Planos, desejos, medos e lembranças. Me sinto atormentada ao saber que depois de algumas horas (momento em que o filme terminaria), aquela segurança toda ia se acabar. Te deixaria em casa e mais uma vez você iria viver seu mundo e eu iria viver o meu, sem você. No dia seguinte, acordaríamos cedo para trabalhar e aquilo tudo seria apenas mais uma memória em meio à e-mails solicitando planilhas, telefonemas cobrando relatórios e papéis por cima da mesa. E é assim que tem que ser. Efêmero, momentâneo e casual. Assim como você quer.

Paixonites

Em noites como essa, de muita chuva e pouca conversa, o que me resta é escrever. Escrever para acreditar que estou conversando com alguém. Talvez seja uma conversa comigo mesma. Eu, na minha mais pura inocência, acreditei que um dia pudesse fazer do ato de escrever uma profissão. De fato, dá para fazer. Mas isso só é para quem é perfeito, para quem fez cursos com Eugênio Mohallem ou conhece algum organizador de Cannes. Eu, uma qualquer comum, não posso com a redação. Não posso porque não sou perfeita. Não posso porque não escrevo do jeito que querem que eu escreva. Não organizo as letras com o cérebro, organizo com o coração, mas confesso que hoje meu coração está desorganizado… sempre falo dele por aqui… afinal, é ou não é um órgão vital? Só estou dando a devida importância. Mas é como diz o ditado: quanto mais você quer, menos você tem. Eu não tenho nada… porque sempre quis muito. Imaginava tardes lindas deitada na grama de mãos dadas. Noites de chuva no cinema, viagens intermináveis… que nunca existiram. Como eu faço para não querer? Para não desejar? Sou humana, preciso de carinho, preciso de amor. E não tenho. Assim como não tenho a capacidade de comprar um carro ou uma casa através das coisas que escrevo.

1 milhão de vícios

Acho que me cansei de escrever
Não sinto vontade
Meu coração não fala
Nada é motivo

Estou lendo um livro
Acompanhando histórias
Elas não saíram de minhas mãos
Pouco importa

Tenho 1 milhão de medos
Ouço 1 milhão de gritos
Mas 1 milhão de letras
Já não me arrepiam

Todo esse tempo
Já não significa nada
Quando na vida não vemos sentido
Quem morre é a palavra

Boas Festas

2009

O que aconteceu aqui, aqui vai ficar.

2010

Mente limpa e olhos abertos para o que vem aí.

Boas festas!

Particularidades

Da minha dor só eu sei. Dor é tão particular quanto sexo. Nas duas situações, só as paredes do quarto escutam. Em uma, os gemidos. Na outra, os soluços. Tenho uma amiga que diz: Você gosta de sofrer, se acostumou. Deve ser o mesmo com o sexo. Nunca fui fã de textos descritivos. Acho uma chatice reproduzir o que se vê, mas agora devo anotar: Vejo meu rosto pálido embebido em lágrimas provocadas por mais uma besteira qualquer. Eu já as conheço, elas já me toleram. Rolam sem cerimônia pelos caminhos tortos de minha face mal desenhada. Deve ser mais um bocado de nada de novo. Mais do mesmo, sabe como é.

Pólo Norte, Pólo Sul

Esquerda ou direita
Arroz ou feijão
A gente é assim
Não combina, não

Mas será que só eu
Sinto a pele arrepiar
Quando te vejo
Quero te tocar

Sei que passa
Que tudo é arrastado
Que o relógio vai levar
Tudo vai embora

Mas por enquanto
É tatuagem
É cheiro
É sua pele

Tudo diferente
Tudo igual
Descombinando
E combinando

Em meio aos lençóis
O que é dois vira um
Você sou eu
E o que era diferente
Vira atração.

Tocando em frente

Você tem que andar
Na corda bamba
Equilibrar
Se cair, desanda

Não deixe
O sentimento te dominar
Não esqueça o coração
Mas preste atenção

Abra os olhos
Sua vida
É você quem faz
Não dependa de ninguém

Levantar
É sua obrigação
Olhe pra frente
Ninguém vai te dar a mão

Sofra o que tem pra sofrer
Viva o que tem que viver
Mas não esqueça
Confiar, só em você

Saiba de onde veio,
Tenha orgulho dos seus pais
Caminhe sozinho
Faça sempre mais

Mais do que esperam
Mais do que é possível
Mais do mundo
Mais você.

T.N.T

Tem que fazer
Ninguém vai te ajudar
Tem que se virar
Tem que rolar

Vão mandar
Vão cobrar
Ninguém vai explicar
Tem que fazer

Inventa, vira de ponta cabeça
Gruda, recorta, tenta
Tem que estar pronto
Tem que funcionar

Tem que ser bom
Tem que vender
Superação
Suas metas estão aí!

Chegou atrasado?
Fica até mais tarde!
Fim de semana?
Nada de cama

S.O.S
PERIGO!
T.N.T!
EXPLODIU!

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