Circo
Não posso me machucar tanto
Corro o risco de nunca cicatrizar
É o preço que se paga
Por colocar o sentir antes do pensar
Inúmeras provas, eu tive
De que impulsos não são confiáveis
De que palavras são o que são
Mas eu sempre, sempre quero acreditar
Eu não sei a razão disso
Tudo que eu quero é não acreditar
Em mais ninguém
Em nada do que me apareça na frente
Não sei mais o que faço
Para me proteger de mim mesma
Alguém me avise, por favor…
quando meu nariz de palhaça cair.
Não passou
Segurei sua mão. Você prestava atenção no filme, e eu, enquanto sentia seus dedos, pensava: Agora estamos aqui. O tempo parece paralisado, e te tenho comigo da forma mais segura e bonita possível. Muitas coisas passaram pela minha cabeça. Planos, desejos, medos e lembranças. Me sinto atormentada ao saber que depois de algumas horas (momento em que o filme terminaria), aquela segurança toda ia se acabar. Te deixaria em casa e mais uma vez você iria viver seu mundo e eu iria viver o meu, sem você. No dia seguinte, acordaríamos cedo para trabalhar e aquilo tudo seria apenas mais uma memória em meio à e-mails solicitando planilhas, telefonemas cobrando relatórios e papéis por cima da mesa. E é assim que tem que ser. Efêmero, momentâneo e casual. Assim como você quer.
Paixonites
Em noites como essa, de muita chuva e pouca conversa, o que me resta é escrever. Escrever para acreditar que estou conversando com alguém. Talvez seja uma conversa comigo mesma. Eu, na minha mais pura inocência, acreditei que um dia pudesse fazer do ato de escrever uma profissão. De fato, dá para fazer. Mas isso só é para quem é perfeito, para quem fez cursos com Eugênio Mohallem ou conhece algum organizador de Cannes. Eu, uma qualquer comum, não posso com a redação. Não posso porque não sou perfeita. Não posso porque não escrevo do jeito que querem que eu escreva. Não organizo as letras com o cérebro, organizo com o coração, mas confesso que hoje meu coração está desorganizado… sempre falo dele por aqui… afinal, é ou não é um órgão vital? Só estou dando a devida importância. Mas é como diz o ditado: quanto mais você quer, menos você tem. Eu não tenho nada… porque sempre quis muito. Imaginava tardes lindas deitada na grama de mãos dadas. Noites de chuva no cinema, viagens intermináveis… que nunca existiram. Como eu faço para não querer? Para não desejar? Sou humana, preciso de carinho, preciso de amor. E não tenho. Assim como não tenho a capacidade de comprar um carro ou uma casa através das coisas que escrevo.
1 milhão de vícios
Acho que me cansei de escrever
Não sinto vontade
Meu coração não fala
Nada é motivo
Estou lendo um livro
Acompanhando histórias
Elas não saíram de minhas mãos
Pouco importa
Tenho 1 milhão de medos
Ouço 1 milhão de gritos
Mas 1 milhão de letras
Já não me arrepiam
Todo esse tempo
Já não significa nada
Quando na vida não vemos sentido
Quem morre é a palavra
Boas Festas
2009
O que aconteceu aqui, aqui vai ficar.
2010
Mente limpa e olhos abertos para o que vem aí.
Boas festas!
Particularidades
Da minha dor só eu sei. Dor é tão particular quanto sexo. Nas duas situações, só as paredes do quarto escutam. Em uma, os gemidos. Na outra, os soluços. Tenho uma amiga que diz: Você gosta de sofrer, se acostumou. Deve ser o mesmo com o sexo. Nunca fui fã de textos descritivos. Acho uma chatice reproduzir o que se vê, mas agora devo anotar: Vejo meu rosto pálido embebido em lágrimas provocadas por mais uma besteira qualquer. Eu já as conheço, elas já me toleram. Rolam sem cerimônia pelos caminhos tortos de minha face mal desenhada. Deve ser mais um bocado de nada de novo. Mais do mesmo, sabe como é.
Pólo Norte, Pólo Sul
Esquerda ou direita
Arroz ou feijão
A gente é assim
Não combina, não
Mas será que só eu
Sinto a pele arrepiar
Quando te vejo
Quero te tocar
Sei que passa
Que tudo é arrastado
Que o relógio vai levar
Tudo vai embora
Mas por enquanto
É tatuagem
É cheiro
É sua pele
Tudo diferente
Tudo igual
Descombinando
E combinando
Em meio aos lençóis
O que é dois vira um
Você sou eu
E o que era diferente
Vira atração.
Tocando em frente
Você tem que andar
Na corda bamba
Equilibrar
Se cair, desanda
Não deixe
O sentimento te dominar
Não esqueça o coração
Mas preste atenção
Abra os olhos
Sua vida
É você quem faz
Não dependa de ninguém
Levantar
É sua obrigação
Olhe pra frente
Ninguém vai te dar a mão
Sofra o que tem pra sofrer
Viva o que tem que viver
Mas não esqueça
Confiar, só em você
Saiba de onde veio,
Tenha orgulho dos seus pais
Caminhe sozinho
Faça sempre mais
Mais do que esperam
Mais do que é possível
Mais do mundo
Mais você.
T.N.T
Tem que fazer
Ninguém vai te ajudar
Tem que se virar
Tem que rolar
Vão mandar
Vão cobrar
Ninguém vai explicar
Tem que fazer
Inventa, vira de ponta cabeça
Gruda, recorta, tenta
Tem que estar pronto
Tem que funcionar
Tem que ser bom
Tem que vender
Superação
Suas metas estão aí!
Chegou atrasado?
Fica até mais tarde!
Fim de semana?
Nada de cama
S.O.S
PERIGO!
T.N.T!
EXPLODIU!
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